Confira sete novas galerias de arte paulistanas que merecem sua visita
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Confira sete novas galerias de arte paulistanas que merecem sua visita

Júlia Corrêa

19 de julho de 2018 | 15h44

Entre espaços dedicados ao modernismo brasileiro e à pop art, conheça a história e o acervo de sete novas galerias da capital

GALERIA ALMEIDA PRADO

+ Tudo começou com uma feira de antiguidades em Brasília – atividade com a qual conciliava o trabalho em um ministério. Fábio Almeida Prado conta que seu gosto pelo mobiliário modernista o levou, então, a abrir um escritório onde atendia só com hora marcada. E, depois, a fundar, há oito anos, ainda na capital federal, a galeria que leva seu sobrenome.

Foto: Renata D’Almeida

Desde outubro de 2017 em São Paulo, o local destoa do ar minimalista de muitos espaços de arte. Ali, seu acervo – que inclui móveis, gravuras, antiguidades e arte popular – fica disposto como em um lar. O resultado é um ambiente acolhedor e convidativo (foto). Isso porque o próprio Fábio confessa, entre risos, sentir-se intimidado ao entrar em certas galerias. A ideia, segundo ele, é também que um possível cliente possa “imaginar como a obra ficará em sua casa”.

As referências a Brasília estão presentes tanto nas obras expostas quanto na arquitetura da própria galeria, com janelas redondas, blocos em relevo na fachada e cobogós no último andar. Pelas paredes de concreto, são exibidos trabalhos de artistas como Volpi, Oscar Niemeyer, Tomie Ohtake, Sergio Rodrigues e Rubem Valentim.

R. Estados Unidos, 2.096, Jd. América, 3085-5535. 12h/20h (sáb., 12h/ 16h; fecha dom.). Grátis.

AURA ARTE CONTEMPORÂNEA

+ Após uma temporada em Barcelona, a arquiteta carioca Bruna Bailune (foto abaixo) voltou ao Brasil com a ideia de criar uma plataforma online para divulgar novos artistas. Assim nasceu a Aura, galeria virtual que fazia, de tempos em tempos, exposições na garagem da antiga casa de Bruna, em Porto Alegre. A logística demandada quando vinha para eventos em São Paulo a levou, em março de 2017, a fundar uma galeria na Vila Madalena, onde hoje trabalha com mais quatro pessoas.

Foto: Raphael Briest

“No início, foi difícil acharmos nosso lugar e definirmos nosso perfil. O retorno financeiro é demorado, mas há gente muito empolgada em ver um espaço mais experimental. No segundo semestre, vamos participar mais ativamente de feiras, inclusive em Hamburgo”, conta Bruna, que busca alcançar jovens colecionadores. Com muitos de seus artistas vindos do Sul, a galeria abre nesta 5ª (26), às 19h, uma mostra com obras da gaúcha Carolina Marostica.

R. Wisard, 397, V. Madalena, 3034-3825. 10h/19h (sáb., 11h/17h; fecha dom. e 2ª). Grátis.

GALERIA HOUSSEIN JAROUCHE

+ Conhecido por comandar a loja de design Micasa, o moveleiro Houssein Jarouche, que já colecionava obras há 15 anos e vendia algumas junto a suas famosas peças, sentiu a necessidade de abrir um espaço dedicado à arte. Ao lado do sócio Paulo Azeco, fundou, em 2017, uma galeria voltada exclusivamente à pop art (foto). “Chegamos a ter uma obra do Basquiat na loja, e teve quem achasse que era pôster. Com a galeria, tudo fica mais claro. Essa distinção era necessária até para participarmos de feiras”, conta Azeco.

Foto: Murilo Moraes

A inserção no mercado foi facilitada pelo histórico da loja, mas Azeco revela que teve certo receio em abrir uma galeria num período de turbulência econômica. “O retorno surpreendeu, mas sabemos que arte é a primeira coisa que as pessoas cortam.”

Com acervo que inclui nomes como Andy Warhol e Roy Lichtenstein, o local também exibe artistas que trabalham com desdobramentos do movimento – caso de Claudio Tozzi e Adriana Oliver. Neste sábado (21), abrirá mostras dos americanos Robert Indiana e Mel Ramos.

R. Estados Unidos, 2.205, Jd. América, 3061-0690. 10h/19h (sáb., 10h/17h; fecha dom.). Grátis.

55SP

+ Originalmente uma plataforma online, a 55SP inaugurou seu espaço físico em abril (foto), reforçando a proposta de produzir edições limitadas de obras de artistas novos ou já consolidados. Em maio, por exemplo, exibiu uma escultura de Amelia Toledo, que ganhou série de 50 exemplares. Idealizadora do projeto, Julia Morelli explica que sua intenção não é representar artistas, mas tornar a obra de nomes já ligados a outras galerias mais acessível a novos colecionadores.

Foto: Carol Krieger

Da Galeria Pilar, com quem divide o espaço, na Vila Buarque, a 55SP já produziu múltiplos de Juliana Kase – mesmo caso de um trabalho de Fabio Morais, representado pela Vermelho. “A intenção nunca foi ser uma grande galeria, mas trabalhar em parceria com outras. Ser um empreendimento de pequeno porte ajudou a superar o medo da crise”, conta Julia. No sábado (21), às 11h, a galeria abre mostra de Daniel Barclay.

R. Barão de Tatuí, 377, V. Buarque. 2ª a 5ª, com agendamento (6ª, 11h/19h; sáb., 11h/ 17h; fecha dom.). Grátis. Inf.: www.55sp.art

ESPAÇO DE ARTE RICARDO VON BRUSKY

+ Um espaço que funciona “50% como galeria de arte contemporânea e 50% voltado a leilões de arte contemporânea, moderna e antiga”. É assim que o empresário Ricardo Von Brusky, colecionador há 35 anos, define o escritório de arte (foto) que abriu em março deste ano na capital. No local, está reunido um acervo com peças raras, que contempla desde o período gótico, passando pela renascença, até os dias de hoje.

Foto: Carlos André de Araújo

O brilho nos olhos de Von Brusky surge quando ele revela como busca explorar o potencial do espaço, que tem cerca de 600 m2. “Os colecionadores podem vir aqui estudar (há um grande acervo de livros de arte no local); tem terraço onde o pessoal pode ficar lendo sob o sol; e uma cozinha em que uma chef faz quitutes durante os eventos. A ideia é algo mais cultural, não só com interesse financeiro”, diz o empresário, que pretende ainda promover palestras e cursos.

No dia 31/7, a galeria recebe sua primeira exposição: ‘Natura di Acqua e Sale’, de Thomas Baccaro, artista representado por Von Brusky.

R. Estados Unidos, 336, Jd. América, 2373-0768. 10h/19h (fecha sáb. e dom.). Grátis.

SIMÕES DE ASSIS GALERIA DE ARTE

+ Apesar da proximidade que já mantinha com o mercado daqui, o arquiteto Waldir Simões de Assis resolveu aprofundar os vínculos com o circuito paulistano. Em abril deste ano, trouxe para cá uma filial da galeria fundada por ele, há 34 anos, em Curitiba.

Foto: Ding Musa

Com uma retrospectiva de Cícero Dias em cartaz até o dia 18/8, a galeria (foto) percorre desde a arte moderna até criações dos anos 1980. Com essa proposta, busca resgatar também artistas que não tiveram tanta repercussão por aqui – caso do uruguaio Carmelo Arden Quin, ligado a tendências construtivistas.

Em algo que brinca ser um “conglomerado familiar”, Simões de Assis conta com a parceria dos filhos, que mantêm outra galeria no mesmo endereço (leia abaixo).

R. Sarandi, 113, Cerqueira César, 3062-8980. 10h/19h (sáb., 10h/15h; fecha dom. e fer.). Grátis.

SIM GALERIA

Foto: Iara Morselli

+ Incentivos para os gêmeos Guilherme e Laura Simões de Assis (foto) dedicarem-se ao mundo das artes nunca foram escassos. Convivendo com artistas desde pequenos – Tomie Ohtake chegou a visitá-los no berço, conta o pai –, os irmãos até se envolveram com outras atividades (ele, no mercado financeiro; ela, na advocacia). Em 2011, porém, decidiram fundar em Curitiba uma galeria voltada à arte contemporânea.

Foto: Ding Musa

O entusiasmo de Guilherme ao apresentar as obras da nova sede paulistana, aberta também em abril, parece revelar que ele trilhou o caminho certo. E são nomes de destaque que podem ser vistos por lá. Até sábado (21), a mostra ‘Avesso Viés’ (foto), por exemplo, reúne artistas como Daniel Senise e Nelson Leirner, sob curadoria de Paulo Miyada. Para Guilherme, a venda de arte é baseada em confiança e, assim, a vinda para São Paulo é uma forma de criar uma relação mais próxima com os clientes.

R. Sarandi, 113, Cerqueira César, 3062-8980. 10h/19h (sáb., 10h/15h; fecha dom. e fer.). Grátis.

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