Confira detalhes de ‘Histórias Afro-atlânticas’, exposição que ocupa o Masp e o Instituto Tomie Ohtake
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Confira detalhes de ‘Histórias Afro-atlânticas’, exposição que ocupa o Masp e o Instituto Tomie Ohtake

Júlia Corrêa

28 Junho 2018 | 16h07

Ao longo deste ano, o Masp volta-se ao tema ‘narrativas afro-atlânticas’. Após exibições de Aleijadinho, Maria Auxiliadora e Emanoel Araujo, o museu promove, com o Instituto Tomie Ohtake, Histórias Afro-atlânticas, grande exposição que reúne, nos dois locais, mais de 400 obras de cerca de 210 artistas.

Obra de Carybé integra o núcleo ‘Ritos e Ritmos’. Foto: Coleção Patrício Santana

Com curadoria de Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz (leia entrevista abaixo), em parceria com Ayrson Heráclito, Hélio Menezes (convidados) e Tomás Toledo (assistente), a mostra busca destacar fluxos entre povos atlânticos desde o século 16 até hoje – com todas as trocas culturais, simbólicas e artísticas a eles atreladas.

A seleção, que contempla cinco séculos, inclui artistas brasileiros (ou radicados aqui) como Candido Portinari, Cícero Dias, Carybé e Pierre Verger, além de estrangeiros como Albert Eckhout (na foto abaixo, obra exposta no Masp) e Jean-Baptiste Debret.

John Lee/Nationalmuseet, Danmark

Vindas de coleções particulares e de instituições como o Metropolitan Museum, de Nova York, e a National Gallery of Jamaica, as obras aparecem divididas em oito núcleos. No Instituto Tomie Ohtake, estão ‘Emancipações’ e ‘Ativismos e Resistências’; já no Masp o público pode conferir as seções ‘Mapas e Margens’; ‘Cotidianos’; ‘Ritos e Ritmos’; ‘Retratos’; ‘Modernismos Afro-atlânticos’; e ‘Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica, Bahia’.

ENTREVISTA COM LILIA SCHWARCZ
Uma das curadoras da mostra, a historiadora falou ao Divirta-se:

Com os 130 anos da abolição, a mostra surge para incentivar debates raciais ou é viável justamente porque a sociedade está mais aberta ao diálogo?
As duas coisas. Não por acaso, muita gente evitou a palavra ‘celebração’, para ver de forma crítica a data. Ficou no ar a pergunta: ‘há o que celebrar?’. Por outro lado, desde o fim dos anos 1970, o Brasil começa a discutir direitos civis. Penso que os brasileiros estão mais atentos de que é um tema incontornável em nossa agenda.

Como se dá a aproximação com o acervo do Masp?
Nas grandes pinacotecas, os retratos são, geralmente, de homens brancos. Então, qual será a sensação do público ao ver retratos só de negros? E, ao visitar o núcleo ‘Modernismos Afro-atlânticos’, ver pintores negros de arte não popular, mas modernista mesmo? É uma tentativa de mudar esse olhar socializado com a arte europeia.

Você poderia dar exemplos de artistas contemporâneos?
Buscamos misturar geografias e temporalidades. A Rosana Paulino, por exemplo, tem a obra ‘Bastidores’. Além do sentido do teatro, bastidor é um objeto ligado ao bordado. Ela ‘costura’ a boca de uma negra – em alusão às imagens de Debret das máscaras usadas como castigo para impedir os negros de comer terra, uma forma de suicídio lenta e dolorosa.

Há relações com a mostra ‘Histórias Mestiças’, da qual você e Adriano foram curadores?
Era uma mostra que já tensionava geografias, mas se concentrava no Brasil. A de agora é uma revisão, com essa perspectiva transatlântica. É interessante, por exemplo, poder comparar como é a capoeira em países vizinhos que também viveram períodos coloniais largos.

ONDE: Masp. Av. Paulista, 1.578, metrô Trianon-Masp, 3149-5959. QUANDO: Inauguração: 6ª (29). 10h/18h (5ª, 10h/20h; fecha 2ª). Até 21/10. QUANTO: R$ 35 (3ª, grátis).

ONDE: Instituto Tomie Ohtake. R. Coropés, 88, Pinheiros, 2245-1900. QUANDO: Inauguração: dom. (1º). 11h/20h (fecha 2ª). Até 21/10 . QUANTO: Grátis.

 

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