Confira 10 edifícios icônicos de São Paulo
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Confira 10 edifícios icônicos de São Paulo

Redação Divirta-se

23 Setembro 2018 | 15h00

Em meio às construções desordenadas das grandes cidades, prédios com projetos marcantes ainda conseguem resistir ao tempo. E São Paulo guarda uma série desses tesouros arquitetônicos.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Selecionamos dez deles – todos residenciais – para você observar. Conversamos com um arquiteto e um historiador, que destacaram aspectos e curiosidades que merecem sua atenção.

GERMAINE BURCHARD – Vistosas, as linhas côncavas, que remetem ao início do modernismo, foram projetadas por Enrico Brand, na década de 1930. Anos depois de sua construção, em 1942, converteu-se em hotel. Após reforma completa, já nos anos 2000, as sacadas arredondas, marca de sua arquitetura, voltaram a ser residenciais, dando mais brilho e cuidado à região da Santa Ifigênia. Para o historiador Cadu de Castro, é “um dos mais belos do Centro”. Av. Cásper Líbero, 59, Centro.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

EIFFEL – É um dos edifícios de Oscar Niemeyer menos comentados da cidade. Se o vizinho famoso Copan foi projetado para ser mais democrático, o Eiffel, de 1956, ao contrário, manteve-se exclusivo. O que os une é o estilo arquitetônico. Segundo Cadu de Castro, “o modernismo se caracteriza também pelas técnicas de construção”, visíveis na estrutura de concreto armado e nas grandes janelas. Pça. da República, 177, República. 

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

LAUSANNE – A fachada colorida é a marca do prédio, projetado nos anos 1950 por Adolf Franz Heep, o mesmo arquiteto do Edifício Itália. “A fachada parece um grande painel. De fora, é até difícil entender a organização dos apartamentos”, explica o arquiteto André Scarpa. Ele destaca que as placas verdes, vermelhas e brancas podem ser deslocadas pelos moradores e, conforme a disposição, ganham “novas cores”. Tal efeito, junto ao verde das árvores, garante brilho e movimento à construção. Av. Higienópolis, 101, Higienópolis.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

LOUVEIRA – O edifício projetado por Vilanova Artigas em 1946 foi uma encomenda da família Mesquita, fundadora do Estadão. É um importante exemplar da arquitetura moderna na cidade. A estrutura livre, com o uso de pilotis (colunas para a sustentação do prédio), e as janelas em sistema pré-fabricado (que facilita a manutenção) são alguns preceitos modernistas adotados. O arquiteto André Scarpa destaca que sua implantação, com duas torres perpendiculares à rua, passa a ideia de continuação da Praça Vilaboim para dentro do terreno. “Assim, o prédio se integra à cidade”, observa. Pça. Vilaboim, 144, Higienópolis.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

SAINT HONORÉ – Entre os arranha-céus da região da Paulista, o edifício se destaca pelas jardineiras nas varandas. “Lembra muito um muro verde contemporâneo, instalado de modo integrado e não sobreposto”, observa André Scarpa. O prédio, de 1958, é assinado por Artacho Jurado – nome controverso por não ter formação na área. “Apesar disso, ele era um mestre das áreas comuns e aplicava conceitos modernistas como a continuidade espacial do térreo.” No caso do Saint Honoré, em sua entrada, há aspectos como a “marquise serpenteante”, integrada ao jardim, além de pilares revestidos de pastilhas azuis – exemplo do estilo ‘voluptuoso’ de Jurado. Av. Paulista, 1.195, metrô Trianon-Masp.

Foto: Sergio Castro/Estadão

PALACETE RIACHUELO – Foi projetado em 1925 por Cristiano Stockler das Neves, quando a cidade iniciava sua verticalização. Na época, segundo Cadu de Castro, os Stockler ‘rivalizavam’ com Ramos de Azevedo, arquiteto do Teatro Municipal. Diferentemente de outros prédios, seu fim sempre foi residencial. Apesar de não muito alto, a arquitetura é portentosa, de estilo neogótico inglês. Chamam atenção as colunas, as complexas padronagens e os elementos decorativos.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

SIMPATIA – Ainda hoje, há projetos atentos à estética, como este de autoria de Álvaro Puntoni e João Sodré, do GrupoSP. Segundo o arquiteto André Scarpa, o prédio, de 2011, sintetiza vários preceitos vistos em construções modernistas, como a planta livre e as varandas com placas móveis, que se adaptam à vontade do morador. Outra herança moderna é o diálogo com a arte: na fachada do Simpatia, há um grande mural criado por Andrés Sandoval. R. Simpatia, 236, V. Madalena. 

Foto: Sergio Castro/Estadão

VIADUTOS – Impossível caminhar pela região central sem notar este gigante de Artacho Jurado. Não é pra menos: ele é marco da arquitetura paulistana de meados do século passado, compilando diversos estilos, como o art déco e o modernismo, em uma só construção. O destaque fica no topo, onde há um salão de festas com ampla vista, erguido sobre um vão livre. “Por ser autodidata, Jurado não era preso às amarras acadêmicas; essa liberdade gerou o Viadutos’, explica Cadu de Castro. Pça. Gal. Craveiro Lopes, 19, Bela Vista.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

MINA KLABIN – O pequeno prédio projetado em 1938 por Gregori Ilych Warchavchik se preserva entre as atuais construções do bairro Campos Elísios. “Mas é interessante notar que ele continua contemporâneo”, salienta o arquiteto André Scarpa. Projetado na época para uma única família, o edifício chama a atenção pelo cuidado com os detalhes, como o volume curvo de sua fachada. Al. Barão de Limeira, 1.003.

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

MAISON DE MOUETTE – Ruy Ohtake se inspirou no bater de asas das gaivotas para desenhar o edifício, localizado na zona sul de São Paulo. Daí a origem do nome ‘Morada da Gaivota’. Filho da artista plástica Tomie Ohtake, Ruy se difere de outros arquitetos paulistanos por sua preocupação estética. No Maison de Mouette, cada terraço tem um formato diferente, e essas nuances é que geram movimento e dão leveza à obra. Além disso, as sacadas têm funcionalidade para o apartamento: permitem a livre circulação dos moradores, como uma espécie de corredor alternativo. “Por influência da mãe, Ruy Ohtake já nasceu artista. Isso pode ser visto na maneira como ele trabalha o concreto armado, as linhas curvas, sempre com um toque de arte”, conta o historiador Cadu de Castro. R. São José, 261, Santo Amaro. 

Foto: Sergio Castro/Estadão

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