Com linguagem poética, ‘Esplendor’ retrata a subjetividade da vida
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Com linguagem poética, ‘Esplendor’ retrata a subjetividade da vida

André Carmona

10 Maio 2018 | 16h25

Foto: Imovision

A fotografia pode ser vista como a arte de moldar imagens utilizando a luz. Já o cinema, como a arte de contar histórias – e, assim, evocar emoções – pelas imagens. Mas e quando os olhos, por algum motivo, deixam de cumprir sua função, abandonando o indivíduo na total escuridão? O cinema e a fotografia perdem o sentido?

Com uma trama extremamente sensível, a diretora japonesa Naomi Kawase mostra que a tradução perfeita daquilo que se vê pode ser feita a partir de palavras – desde que elas venham do coração.

Esplendor narra o encontro entre a jovem Misako (Ayame Misaki) e o experiente fotógrafo Nakamori (Masatoshi Nagase). Ela trabalha como tradutora de audiodescrições para filmes voltados a deficientes visuais. Ele, que vem perdendo a visão progressivamente, faz parte do grupo que avalia se as audiodescrições passam a verdadeira emoção do filme.

Inicialmente, a relação é conturbada. Rancoroso por conta de seu problema, Nakamori torna-se o crítico mais ferrenho do trabalho de Misako, que tenta entender, com afinco, como melhorar seu trabalho.

Enquanto isso, ela lida com a perda do pai e a grave doença da mãe. O fotógrafo, por sua vez, luta para aceitar sua condição e o abreviamento de sua carreira.

Desse turbulento contexto nasce a semente poética do filme. Naomi Kawase discute, no longa, a subjetividade da vida. Mas trata também do afeto originado em gestos e palavras simples. A fotografia e a bela trilha sonora dão um toque especial à trama.

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