Com grandes atrações, Coala Festival chega à quinta edição, com dois dias
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Com grandes atrações, Coala Festival chega à quinta edição, com dois dias

Renato Vieira

30 de agosto de 2018 | 16h48

Foto: Welsey Allen/I Hate Flash

Em sua 5ª edição, o Coala Festival se consolida mostrando a potência da música brasileira contemporânea. Pela primeira vez, o evento ocorre em dois dias, encerrados por Gilberto Gil e Milton Nascimento. A seguir, confira os perfis dos artistas escalados e entrevistas com Milton e com o curador Gabriel Andrade. No sábado (1º), a partir das 22h45, o público é convidado a uma festa ‘pós-festival’, com DJs tocando brasilidades em pontos do Largo da Batata.

ONDE: Memorial da América Latina. Praça Cívica. R. Prof. Wilfrides Alves de Lima, portão 1, Barra Funda. QUANDO: Sáb. (1º) e dom. (2), 11h (abertura dos portões). QUANTO: R$ 170/R$ 190. Vendas na bilheteria (R. Tagipu- ru, s/nº, portão 2), nos dias do festival, ou pelo site: www.totalacesso.com

FIQUE ATENTO

É permitido levar mochila, câmera fotográfica, copinhos de água lacrados (até duas unidades) e snacks (no máximo, dois).

Animais de estimação, guarda-chuvas e objetos pontiagudos têm entrada proibida.

O jeito mais fácil de se chegar ao festival é de metrô. O local fica ao lado da estação Palmeiras-Barra Funda, da Linha 3 – Vermelha.

ESTÁ NO PAPO
GABRIEL ANDRADE

Curador do evento ao lado de Marcus Preto, ele falou ao Divirta-se sobre o Coala Festival 2018.

Como é, para você, ver que o festival teve fôlego para chegar à 5ª edição? Isso reflete a força da música brasileira. O crescimento do Coala coincide com o crescimento da internet e dos serviços de streaming. Esses fatores permitem que a gente faça uma edição em dois dias, durante um contexto de crise.

Qual o traço em comum entre os artistas que participam desta edição? O que mais chama atenção, neste ano, é a forte presença de artistas baianos e da música negra. Mas, musicalmente, é bem diverso – com artistas partindo da brasilidade e colocando sua marca.

Foi difícil conseguir trazer Gilberto Gil e Milton Nascimento? Tem um processo longo de contar a nossa história e por que é importante tê-los no ‘line-up’. A gente se propõe a ser uma síntese da nova música brasileira, mas também uma passagem de bastão entre quem fez a música brasileira pelos últimos 50 anos e quem a fará pelos próximos 50.

SÁBADO

O primeiro dia de Coala Festival reflete a diversidade da nova música brasileira – e abrange desde o rap até grupos que promovem uma harmônica mistura de estilos

+ Com integrantes do Brasil e do México, a banda Francisco, el Hombre apresenta uma mescla de ritmos latinos e brasileiros. O grupo emplacou a faixa ‘Triste, Louca ou Má’ em uma novela da TV Globo. Sáb. (1º), 13h40.

+ Projeto criado pelo produtor Rafa Dias, o ÀTTOOXXÁ faz a junção do pagode de origem baiana com arrocha e música eletrônica. ‘Elas Gostam (Popa da Bunda)’, gravada com o Psirico, foi hit do carnaval de Salvador. Sáb. (1º), 15h10.

+ Formado em Olinda há 14 anos, o grupo Academia da Berlinda mistura cumbia e ritmos brasileiros em ‘Nada Sem Ela’ (2016), terceiro disco de sua trajetória. Lula Lira, filha de Chico Science, participa do show. Sáb. (1º), 16h30.

Baco Exu do Blues. Foto: Daryan Dornelles

+ Uma das revelações do ano passado, o rapper Baco Exu do Blues (foto acima) apresenta as músicas de seu álbum de estreia, ‘Esú’ (2017). ‘Te Amo Disgraça’ e ‘Senhor do Bomfim’ fazem parte do repertório. Sáb. (1º), 19h10.

Xenia França. Foto: Tomás Arthuzzi

+ Assim como Baco Exu do Blues, Xenia França (foto acima) está entre os representantes da Bahia no festival. Integrante do grupo Aláfia, ela fez seu primeiro disco solo, ‘Xenia’, no ano passado. Além de músicas próprias, composições de Roberta Estrela D’Alva, Luísa Maita e Verônica Ferriani também estão no repertório do álbum, que versa sobre a afirmação da negritude e do feminismo. Xenia ainda regravou ‘Tereza Guerreira’, de Antonio Carlos e Jocafi, e ‘Respeitem Meus Cabelos, Brancos’, composta por Chico César. Sáb. (1º), 17h50.

Gilberto Gil. Foto: Gerard Giaume

+ Depois de lançar, este mês, ‘Ok Ok Ok’, primeiro álbum com canções inéditas em oito anos, Gilberto Gil (foto acima) volta a São Paulo para fechar a noite de sábado (1º) do Coala Festival. O cantor e compositor, que ainda não iniciou turnê do novo trabalho, faz show com grandes sucessos da carreira. A apresentação que o artista fez em Brasília, no último dia 25, pode dar pistas sobre o repertório: lá, ele tocou clássicos como ‘Tempo Rei’ e ‘A Novidade’. Sáb. (1º), 20h30.

Sem Interrupção

Entre um show e outro do festival, o som não para, com DJs animando o público. No sábado (1º), nomes como Salvador Araguaya, Rodrigo Bento e Tata Ogan discotecam. Formados por mulheres, os grupos Sound Sisters e Feminine Hi-Fi marcam presença no domingo (2).

DOMINGO

No segundo dia de festival, encerrado por Milton Nascimento e Criolo, há espaço para folk com pitadas de R&B e até saudações ao soul e ao funk dos anos 1970

Mano Brown. Foto: Klaus Mitteldorf

+ Depois de longa espera, Mano Brown (foto acima) lançou, em 2016, seu primeiro álbum solo, ‘Boogie Naipe’, que acaba de sair em vinil e servirá de base para o show. Com influências do soul e funk da década de 1970, a sonoridade é bem diferente de seu trabalho com os Racionais MC’s – ainda que algumas letras também falem de conflitos e façam referência ao cotidiano de São Paulo. No primeiro single, ‘Amor Distante’, Brown apostou no romantismo ao lado do rapper Lino Krizz, coprodutor do disco – que contou ainda com várias participações especiais, como Hyldon e Carlos Dafé, ícones da black music nacional. Dom. (2), 16h30.

Luedji Luna. Foto: Danilo Sorrino

+ Sobre uma base de baixo, percussão e guitarra, a baiana Luedji Luna (foto acima) canta o impacto da mudança de Salvador para São Paulo. “Atravessei o mar/Um sol da América do Sul me guia/ Trago uma mala de mão/ Dentro uma oração/Um adeus.” Assim começa ‘Um Corpo no Mundo’, faixa-título do primeiro disco de Luedji, que vem fortalecendo sua presença na cena paulistana com shows em diversas casas da cidade. O videoclipe de ‘Banho de Folhas’, outra canção do álbum, contabiliza quase
dois milhões de visualizações no YouTube. Dom. (2), 17h50.

+ Concebido depois de uma separação, ‘Coração’ (2017) é o segundo álbum de Johnny Hooker, primeiro artista a se apresentar no domingo (2). Um dos destaques é a faixa ‘Flutua’, gravada com a participação de Liniker. O repertório de Hooker também homenageia ídolos. Dedicada a David Bowie, ‘Poeira de Estrelas’ é seu “réquiem pessoal para esse artista que acompanhou e libertou tanta gente”, como ele definiu em seu Twitter. Já a faixa ‘Caetano Veloso’ celebra o artista baiano. Dom. (2), 13h40.

+ Indo além da estética folk pela qual ficou conhecido com seu primeiro álbum, ‘Pearl’ (2013), o carioca Rubel incorpora outras referências musicais em ‘Casas’, que saiu no início deste ano. O rap e o R&B estão presentes nas faixas ‘Mantra’, gravada com intervenção de Emicida, e ‘Chiste’, cujo registro contou com a participação de Rincon Sapiência. Há também a influência do samba em ‘Casquinha’. O já conhecido lado intimista do compositor está impresso em canções como ‘Explodir’. Dom. (2), 15h10.

+ Prestes a completar 14 anos de criação, o bloco Ilú Obá de Min (“mãos femininas que tocam tambor para Xangô”, em iorubá) é formado por mulheres que trabalham com referências da cultura africana. Na apresentação que fazem durante o festival, elas recebem as cantoras Juçara Marçal e Elza Soares. Em ‘Deus É Mulher’, álbum mais recente de Elza, o coletivo participou das faixas ‘Banho’, de Tulipa Ruiz, e ‘Dentro de Cada Um’, composição de Luciano Mello e Pedro Loureiro. Dom. (2), 19h10.

Milton Nascimento. Foto: Nathalia Pacheco

ESTÁ NO PAPO
MILTON NASCIMENTO

Fechando o último dia do Coala Festival, às 20h30, o cantor e compositor faz show com participação de Criolo. Nesta entrevista, Milton fala ao Divirta-se sobre sua presença no evento.

Nesta apresentação, você convida Criolo, retomando a parceria do show ‘Linha de Frente’. Como é trabalhar com ele? Desde nosso primeiro encontro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a gente já começou uma amizade muito grande. E isso resultou naquela série de shows que a gente fez. Mas, antes até da nossa amizade, o Criolo já era um artista de que eu gostava bastante; já tinha ouvido muitas coisas dele. Foi uma afinidade imediata.

Qual será o repertório do show do festival? A gente vai fazer um show com alguns sucessos da minha carreira, e eu convido o Criolo pra gente cantar algumas coisas juntos. Já pensamos em várias músicas, mas tudo pode mudar até o dia do show (risos), pois ainda temos mais um ensaio e a passagem de som. Mas o que eu posso adiantar é que não vai faltar emoção.

O festival terá vários artistas da cena contemporânea. Quais deles você admira?
Olha, tem muita gente de que eu gosto muito e que também vai participar. Mas fiquei bastante feliz quando soube que o Mano Brown vai fazer o show dele no mesmo dia que a gente. Eu gosto muitíssimo de tudo que ele faz!

Esta apresentação no Coala é para 12 mil pessoas, bem mais do que a capacidade de teatros pelos quais você vem passando com o show ‘Semente da Terra’. Como é cantar para tanta gente? Poxa, é maravilhoso, né? A gente acabou de fazer o Festival de Bonito, que tinha mais de 10 mil pessoas. Mas, agora, surgiu essa chance pelo Marcus Preto, que nos convidou para tocar no Coala, um dos festivais mais prestigiados do Brasil.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: