Com direção de Eduardo Nunes, ‘Unicórnio’ transforma silêncio inquietante em beleza
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Com direção de Eduardo Nunes, ‘Unicórnio’ transforma silêncio inquietante em beleza

André Carmona

16 de agosto de 2018 | 15h52

Foto: Zeca Miranda

Quase seis anos após ‘Sudeste’, o fluminense Eduardo Nunes se afirma como um dos cineastas autorais mais interessantes de sua geração. Em Unicórnio, sua mais nova produção, baseada em dois contos de Hilda Hilst, ele retoma características trabalhadas no primeiro longa: uma procura por profundidade baseada na composição cênica, que substitui, com sucesso, elementos narrativos convencionais. Mais do que ser assistido, ‘Unicórnio’ precisa ser apreciado.

A fotografia de Mauro Pinheiro Júnior é o primeiro aspecto que chama atenção no filme. A saturação de cores, combinada ao enquadramento ‘wide’ (extremamente retangular), funciona como um convite ao espectador – que, não dificilmente, será atraído pelo bucolismo visual e, nele, também se verá imerso.

Na trama, muito pouco óbvia – já que são raros os diálogos –, Bárbara Luz e Patrícia Pillar vivem respectivamente filha e mãe, moradoras de um vilarejo afastado da civilização, à espera do pai/marido que as abandonou. A situação começa a se transformar quando um criador de ovelhas (interpretado por Lee Taylor) se muda para uma casa perto dali. Logo ele estabelece uma relação com a mãe, o que despertará conflitos na garota.

O ponto de contraste aparece em uma narrativa paralela, entrecortada pela experiência deslumbrante do campo, onde o tempo parece não passar. Nesses momentos, vemos a garota enclausurada no que lembra um hospital, conversando com o pai (Zé Carlos Machado) sobre a existência de Deus, a vida e a morte.

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