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‘Campo Grande’ explora desigualdade social no Rio

Rafael Sousa Muniz de Abreu

02 de junho de 2016 | 16h50

O que fazer quando duas crianças desconhecidas batem à porta pedindo socorro? É a dúvida que se apossa de Regina (Carla Ribas), quando Rayane e Ygor dizem apenas que a mãe lhes recomendou que esperassem por ela ali. Regina não se encontra em situação confortável. Separada do marido, está desocupando o imóvel e vive em conflito com a filha adolescente, Lila (Julia Bernat). Este é o enredo inicial de Campo Grande, novo filme da diretora Sandra Kogut, de ‘Passaporte Húngaro’ e ‘Mutum’.

Além disso, a ideia de Sandra é colocar em destaque as disparidades geográficas e sociais do Rio de Janeiro. Regina mora na zona sul. As crianças dizem viver em Campo Grande (zona oeste) com a avó. A mãe sumiu e ninguém sabe direito por quê nem onde foi parar.

O registro cinematográfico é despojado, porém afetivo. A câmera se detém nos personagens e os mostra nas ruas, andando, conversando, interagindo. É quase uma câmera documental, nunca fria. A empatia, pelo contrário, dá a tônica deste belo filme. Nele se mesclam questões familiares e sociais; a crise da adolescência com a da maturidade (Carla Ribas, magnífica); a necessidade de amparo e a busca do amor, vivas em qualquer idade. Mas tudo passa sem necessidade de ênfase ou didatismo, porque se põe em cena através de uma bonita e humana história. Luiz Zanin Oricchio

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

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