Bons restaurantes de comida regional em São Paulo
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Bons restaurantes de comida regional em São Paulo

Lucineia Nunes

19 de setembro de 2019 | 18h00

No balaio gastronômico da capital paulista, culinárias de diferentes regiões do Brasil têm, certamente, um endereço que as represente – seja um boteco com comida bem-feita ou casas consagradas, como Mocotó e Tordesilhas, por exemplo. Para se juntar a eles, chega à cidade o aclamado Banzeiro, filial do restaurante homônimo de Manaus.

Na sequência, uma seleção de restaurantes regionais, abertos nos últimos anos, que têm em comum o jeitão simples, com comida caseira e reconfortante, e, o melhor, por um preço mais amigável que a média paulistana.

Ambiente do Banzeiro (Foto: Rubens Kato)

+ O chef Felipe Schaedler ouviu tantos pedidos para abrir uma filial do Banzeiro em São Paulo que aqui está. O endereço moderno no Itaim Bibi, com canoa pendurada na parede e fotografias belíssimas de Sérgio Coimbra, faz referências à casa de Manaus, tocada pela família desde 2009. Mas é a cozinha que esbanja as riquezas da região amazônica, como os cogumelos coletados por índios Ianomâmis, que entram no preparo da ‘Mujeca de Peixe Moqueado’ (R$ 34); a formiga saúva, que dá um toque cítrico à delicada espuma de mandioquinha (R$ 18); e, claro, peixes como pirarucu e tambaqui. Este último também numa versão em que é assado na brasa e servido com baião de dois cremoso, farofa de ovo estalado, vinagrete de picles e tartar de banana (R$ 159, para até três pessoas).

Pato no tucupi do Banzeiro (Foto: Rubens Kato)

O chef também acerta em cheio no clássico pato no tucupi (R$ 62), um prato aromático e saboroso. Adoce com o ‘#descubramanaus’ (R$ 24), que mistura cupuaçu e brigadeiro. R. Tabapuã, 830, Itaim Bibi, 2501-4777. 11h30/15h30 e 19h/23h30 (sáb., 12h/16h e 19h/0h; dom., 12h30/17h).

Ambiente do Dona Canô (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

+ Um simpático sobrado, com rede na entrada e decoração colorida, abriga o novo Dona Canô, restaurante de comida nordestina de Bruno Gallina, que divide a recepção com a mãe, Eliana. Ele também cuida da carta de drinques e da sala de artesanato no piso superior. Já a cozinha está a cargo do sergipano Mário Ferreira da Conceição, que trabalhou no Jesuíno Brilhante (leia na pág. 8), e de sua mulher, Joicy Zurlo.

Carne de sol com queijo coalho e macaxeira, do Dona Canô (Foto: Nando Fotografia)

Além dos pratos do dia, o cliente monta sua versão com uma proteína ou uma opção vegetariana e acrescenta dois acompanhamentos. Um exemplo é a carne de sol na chapa (R$ 31), com macaxeira frita e risoto do sertão (arroz rosa preparado no leite, com nata fresca e queijo coalho). Há ainda carne de sol na nata (R$ 42) e a vegana ‘Maxixada’ (R$ 36). No último sábado do mês, a casa abre à noite com forró ao vivo, drinques e petiscos. R. Padre Chico, 275, Perdizes, 3862-1307. 11h30/ 15h30 (sáb. e dom., 11h30/16h30; fecha 2ª).

Ambiente do Cajueiro (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

+ Com pé direito alto, paredes com ilustrações que remetem à xilogravura e certo clima de bar – com boa variedade de cachaças e petiscos –, o Cajueiro é um agradável reduto nordestino na zona norte. Por trás da cozinha de porções fartas está o chef Renato Amâncio Araujo, que faz questão de usar o melado de cana da Serra da Ibiapaba, no Ceará, e a farinha de copioba do Recôncavo Baiano. Já as cerâmicas vêm da Serra da Capivara, no Piauí.

Costelinha de porco com goiabada, do Cajueiro (Foto: Aéon Terra)

O menu abre com saladas e porções, como torresminhos (R$ 18,50) e pastéis de carne-seca e requeijão (R$ 9,50, 2 unid.). Mas os carros-chefes são o baião de dois cremoso (R$ 27,50, pequeno) e a costelinha de porco com goiabada (R$ 93,90, para do- is). Para fechar, creme brulée de doce de leite (R$ 17,90). R. Aureliano Leal, 516, Água Fria, 3360-2829. 12h/15h e 18h/22h30 (sáb., 12h/23h; dom., 12h/16h; fecha 2ª).

A Baianeira (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

+ Acolhedor, o restaurante A Baianeira é daqueles lugares que têm o dom de nos ‘transportar’ para uma cidade do interior, com comida trivial bem-feita, saborosa e que reflete o cuidado da chef Manuelle Ferraz com o ofício. Logo na entrada, uma vendinha exibe doces, bolos e pães de queijo. Aliás, tudo começou com o ótimo pão de queijo (receita de família), antes do lugar virar restaurante. Para abrir o almoço, o quitute pode vir recheado com carne de panela e ovo caipira (R$ 15), uma delícia. Outra delicadeza é o nhoque de batata-doce com creme de requeijão de corte (R$ 18).

Baião de dois do A Baianeira (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

Na ala dos principais, está o bom baião de dois com carne de panela (R$ 35; foto). Durante a semana, figuram também os pratos do dia, como a galinhada (R$ 39), servida às sextas-feiras. Aos sábados e feriados, tem café da manhã (9h/12h) e menu especial de almoço. Não dispense as sobremesas, a exemplo do brulée de goiaba (R$ 15) e do requeijão de corte com mangada (R$ 18). Em outubro, o restaurante ganhará uma unidade no subsolo do Masp. R. Dona Elisa, 117, Barra Funda, 2538-0844. 9h/17h (fecha dom. e 2ª).

Linguiça de carne de sol do Fitó (Foto: Lucas Terribili)

+ Cearense criada no Piauí, a chef Cafira serve no agradável (e democrático) Fitó o que chama de cozinha brasileira sem fronteiras, privilegiando sabores do Norte e do Nordeste, com pitadas de outros cantos. Alguns pratos de sucesso permanecem no menu desde que a casa foi aberta, em 2017, a exemplo da ‘Paçoca’ (R$ 39), carne de sol com farinha de mandioca, cebola e manteiga de garrafa, servida com baião de dois, banana-da-terra e queijo coalho. Entre as novas entradas está o ‘Mungunzá Salgado’ (R$ 18), que traz a canjica de milho branco cozida com leite de coco da casa, acompanhada de requeijão de corte, queijo da Canastra e crocante de carne de sol.

Na seção de principais, estreiam a linguiça de carne de sol (R$ 42; foto), servida com salada de favas, coalhada e ovo cozido, e o ‘Arroz de Vôngole’ (R$ 32), feito com arroz integral e leite de coco, molusco, bacon, paio, pimentões, especiarias e um “punhadinho” de coentro, como ressalta o cardápio. Para acompanhar, o prato vem com uma tapioca macia para passar no molho. Das receitas do dia, terça-feira é a vez das ‘Almôndegas à la Abrahão’ (R$ 32), à base de carne bovina e paio, pimenta-de-cheiro, cheiro-verde, especiarias e queijo coalho, acompanhadas de mungunzá com requeijão de corte e molho de tomate caseiro. Com dois andares, incluindo um terraço, o Fitó anima as noites de 3ª com apresentações de forró. R. Cardeal Arcoverde, 2.773, Pinheiros, 3032-0963. 12h/15h e 18h/23h30 (6ª, 12h/ 16h e 18h/0h; sáb., 12h/0h; dom., 12h/18h; 2ª, 12h/15h).

Ambiente do restaurante Casa de Ieda (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

+ A simplicidade faz parte do clima do pequenino Casa de Ieda, com balcão e poucas mesas no salão e na calçada – assim como a comida reconfortante e repleta de sabores que sai da cozinha de Ieda de Matos. O cardápio privilegia o receituário da Chapada Diamantina e traz, a cada dia, apenas as sugestões listadas na lousa. Dependendo do horário, corre-se o risco de não ter um item ou outro, caso dos disputados bolinhos de estudante (R$ 20, 4 unid.). Também há sempre um ‘combo do dia’ (R$ 45), com entrada, prato e sobremesa.

Boa pedida, o baião de dois com carne de sol, arroz, feijão de corda e queijo coalho, vem com farofinha e molho lambão (R$ 32). Outros destaques são o ‘Godó de Banana Verde’ (R$ 32) e o escondidinho de creme de macaxeira com carne de porco (R$ 42). Por fim, torça para ter o creme de iogurte de queijo de cabra com caramelo de jenipapo (R$ 10). R. Ferreira de Araújo, 841, Pinheiros, 4323-9158. 12h/15h (sáb., 12h30/16h; fecha dom. e 2ª).

Arroz de galinhada do Bendita Cozinha (Foto: Lucas Fonseca)

+ O Benedita Cozinha nasceu dos almoços e jantares informais que os sócios Felipe Mureb e Rodrigo Isaias faziam para os amigos. Rodrigo é chef de cozinha e aprendeu muito com as avós mineira e paraense. Quando teve a ideia de abrir o restaurante, a dupla saiu em busca de um imóvel. Mas decidiu ficar na charmosa casinha que sediava os encontros e onde testaram várias receitas – entre elas, o ‘Vatapá da Vó Zenaide’ (R$ 61), um dos hits, ao lado da moqueca capixaba de banana com creme salgado de coco (R$ 39) e do arroz de galinhada com linguiça fresca (R$ 41; foto).

“Fazemos comida brasileira de casa, com um pouco de todas as regiões e das influências que o Brasil recebeu”, diz Felipe. Os pratos acima estão no cardápio do jantar. No almoço, são servidos (com o mesmo capricho) pratos do dia e menu executivo (R$ 41). R. Havaí, 258, Sumaré, 3875-4764. 12h/15h e 19h/22h30 (sáb., 12h/16h e 19h/23h; dom., 12h30/16h30; 3ª, 12h/15h; fecha 2ª).

Ambiente do Jesuíno Brilhante (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

+ O atual endereço do Jesuíno Brilhante está com os dias contados. Em outubro, o restaurante mudará para um imóvel do outro lado da rua e levará para lá todo o charme e a simpatia que conquistaram clientela fiel nos últimos anos. Além, é claro, da boa comida caseira do sertão potiguar. O negócio começou com o jornalista Rodrigo Levino, que trouxe a família do Rio Grande do Norte para ajudá-lo.

Carne de sol na nata do Jesuíno Brilhante (Foto: Lucinéia Nunes/Estadão)

O pai, Seu Batista, é quem faz a carne de sol, carro-chefe da casa, que surge em cinco versões no cardápio: na linguiça artesanal (R$ 36); na paçoca (R$ 31); como bife na chapa (R$ 34); como ‘Porco de Sol’ na chapa (R$ 34); e na deliciosa carne de sol na nata fresca (R$ 34). A escolha de qualquer um desses pratos dá direito a dois acompanhamentos.

Para os preparos e para abastecer a lojinha com queijos e doces, a casa recebe dois caminhões por mês com produtos de Caicó (RN). O quebra-queixo, porém, vem da Paraíba e a nata, do Rio Grande do Sul. R. Arruda Alvim, 180, Pinheiros, 2649-3612. 11h30/15h (sáb., 11h30/16h; fecha dom.).

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