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Beijinho, beijinho, tchau, tchau

Redação Divirta-se

28 de maio de 2021 | 11h30

RÊ PROVA

Toda semana, Renata Mesquita vai reprovar absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia    

Eu tenho plena consciência de que ter um espaço para reclamar de coisas (semi)aleatórias em um jornal do porte do Estadão é um luxo, principalmente em tempos pandêmicos em que todos queremos gritar para o mundo as nossas frustrações (que não são poucas). Mas, acima de tudo, sei que algumas delas podem soar arrogantes. Talvez, sim, mas eu não acho (esse preâmbulo com ares egocêntricos é um presságio, ou uma desculpa prévia, do que vem a seguir).

No início da semana, fui cortar meu cabelo depois de mais de um ano. Estava em condições deploráveis e tenho muitas questões em relação a ele, médicas inclusive – doença com nome, alopecia – ou seja, tenho praticamente um atestado médico para ir ao cabeleireiro. Escolhi um dia que estaria bem vazio, marquei meu horário e lá fui eu. Se vale dizer, boa parte do tempo me senti segura. Mas é claro que a primeira pergunta que fiz para a funcionária que lavava meu cabelo foi: “você já tomou a vacina?”. A indagação vem com um misto de sensações: curiosidade, inveja, autopreservação e, claro, real empatia com o outro.

Perguntei o mesmo para o cara que corta meu cabelo. Sim, ele tinha. Participou dos testes no final do ano passado e sua última sorologia apontava 98% de imunidade. Show, para ele e para mim. Eis que uma dita-cuja entra e dá dois beijinhos na bochecha dele. Ele, claramente percebendo minhas rugas de indignação na testa, soltou “é assim, você já sabe quem tomou vacina sem perguntar, porque elas já vêm abraçando”. Em seguida, disparou: “fulana, tomou vacina né? Óbvio queridooo”. Só Deus sabe como disfarcei meu bode naquele momento, talvez tenha sido a tesoura nas mãos dele envoltas nos meus fios remanescentes. Nem preciso explicar os sete erros desse jogo, ou preciso? Eu juro que não queria cair nos clichês, mas o povo não colabora…

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