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Ahoy, sexy

Redação Divirta-se

22 de agosto de 2013 | 15h26

A melhor carta já escrita no cinema contemporâneo tinha apenas oito frases. É a redação que encerra ‘Clube dos Cinco’, filme dirigido em 1985 pelo insuperável John Hughes (cuja cena você pode rever aqui: bit.ly/bkftclub). Ela fala de pessoas em fase de transição, que sofrem por não encontrar um rótulo que as defina, um grupo em que possam se encaixar. No ano passado, Noah Baumbach e Greta Gerwig voltaram ao tema – e tomaram o lugar de Hughes – com Frances Ha, que chega hoje (23) aos nossos cinemas.

O diretor de ‘A Lula e a Baleia’ (2005) e ‘Greenberg’ (2010) divide o roteiro com a atriz, que vive a personagem-título. Frances tem 27 anos; ainda mora com a melhor amiga da faculdade, Sophie; e tenta uma posição fixa na companhia de dança em que é aprendiz.

A história que Baumbach e Greta escrevem pode ser lida como uma carta dirigida a diversos destinatários. É, em primeiro lugar, uma missiva de rompimento. Em sua ‘quarter life crisis’ (a tão falada crise dos 25 anos), Frances se despede de uma versão idealizada de si mesma. “Estou tão envergonhada… eu ainda não sou uma pessoa”, diz ela, a certa altura. “Inamorável”, acusa divertidamente o amigo Benji, toda vez que Frances age… espontaneamente.

É também uma carta de amor a Nova York. Rodado inteiramente em preto e branco e pontuado por cartõezinhos dos vários endereços onde a protagonista vai viver, o filme passeia por Manhattan e pelo Brooklyn em tomadas afetivas, que remetem aos melhores trabalhos de Woody Allen. E, assim como a redação final de ‘Clube dos Cinco’, o filme é um bilhetinho amigo a todos aqueles que, independente de quão longe estejam dos 25 anos, buscam seu lugar no mundo.

Greta, em performance adoravelmente pateta, é a melhor razão para comprar o ingresso. Mas seria injusto não dar crédito a companheiros de elenco como Mickey Sumner (que vive a amiga Sophie) e Adam Driver (o Adam do seriado ‘Girls’, da HBO), autor da expressão que intitula esta crítica – e que resume, em sua evidente inabilidade e com a devida ironia, as dificuldades colocadas pela ~vida adulta~.

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