‘A Câmera de Claire’ evoca linguagem minimalista de Sang-Soo Hong
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‘A Câmera de Claire’ evoca linguagem minimalista de Sang-Soo Hong

André Carmona

24 Maio 2018 | 14h30

Foto: Jour2fête

É difícil definir quem protagoniza A Câmera de Claire, novo filme do sul-coreano Sang-Soo Hong. Depois de assistir ao filme, pode ser que surja no espectador a sensação de que não há, de fato, protagonistas e coadjuvantes. Mas uma linguagem, e também uma mensagem, que se sobressai.

A trama se passa em Cannes, durante o festival de cinema. Sem muitas explicações, a jovem Manhee (Minhee Kim) é demitida por sua chefe, Nam (Jang Mi Hee). O motivo seria a falta de honestidade da funcionária. Elas participam da comitiva que trabalha na divulgação do novo longa de So Wansoo (Jin-yeong Jeong), homem com o qual Manhee parece ter tido um caso. Nada representado ali é muito explícito.

Paralelamente, surge a figura tresloucada de Claire (Isabelle Huppert), uma professora de música parisiense que viaja à cidade pela primeira vez. Ela carrega, a tiracolo, uma câmera fotográfica, usada a todo instante para retratar estranhos nas ruas. É assim que ela acaba conhecendo o grupo de coreanos e estabelece uma amizade com Manhee. Daqui para frente, qualquer informação adicional pode virar spoiler.

Talvez a figura mais importante do filme seja o próprio diretor Sang-Soo Hong. É de modo minimalista que ele trabalha os enquadramentos, os longos intervalos entre as cenas e a praticamente ausente trilha sonora. A impressão é que os atores estão ali não atuando, mas servindo de laboratório para uma (meta)linguagem que tem compromisso apenas com a arte.

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