39ª Mostra Internacional de Cinema se estende até 4/11; confira os destaques
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39ª Mostra Internacional de Cinema se estende até 4/11; confira os destaques

Redação Divirta-se

22 Outubro 2015 | 19h30

A 39ª Mostra Internacional de Cinema  de São Paulo já começou e vai exibir 312 filmes, de 62 países, até o dia 4/11.

Mais uma maratona. Para os cinéfilos, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é tempo de organizar os filmes preferidos em listas, criar estratégias para burlar as filas, planejar um meio de conseguir ingresso para aquela sessão em que todo mundo está de olho.

Na 39ª edição do evento, que segue até o dia 4/11, serão 312 títulos, vindos de 62 países e exibidos em
22 espaços diferentes da cidade. A oferta é imensa. E navegar nesse mar de filmes nem sempre é fácil.

Nas páginas a seguir, o Divirta-se selecionou as obras que devem se destacar na safra de 2015. Há homenagens à Film Foundation, de Martin Scorsese e ao centenário de Mario Monicelli. Também não faltam os títulos que conquistaram os festivais internacionais e amostras do excepcional momento do cinema latino, que traz algumas das mais instigantes criações deste ano. Além das apostas dos nossos críticos.

Outra maneira de montar sua programação é consultar o site que criamos especialmente para o evento. Pelo tablet, celular ou computador, é possível conferir todos os títulos, salas e horários. Agora, basta ler e correr para o cinema. Maria Eugênia de Menezes

INGRESSOS E PACOTES

Ingresso avulso: R$ 16 (2ª a 5ª) / R$ 20 (6ª, sáb. e dom.)
Permanente Integral: R$ 430
Permanente Especial: R$ 100 (para sessões de 2ª a 6ª, até 17h55)
Pacote de 40 ingressos: R$ 315
Pacote de 20 ingressos: R$ 185

Ingressos avulsos só são vendidos nas salas de exibição ou pelo site Ingresso.com

Serviço: Central da Mostra. Conj. Nacional. Av. Paulista, 2.073, 3171-3342. 11h/21h. Até 4/11.

Programação completa. acesse o endereço e consulte toda a programação – no computador, tablet ou celular: http://oesta.do/39mostraSP

 

 

FILM FOUNDATION

Serão exibidos 25 clássicos, um para cada ano de existência da Film Foundation, de Martin Scorsese

'Meu Único Amor' Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

Ao invés de homenagear Martin Scorsese, a Mostra preferiu destacar a fundação que ele preside: The Film Foundation, responsável pela recuperação de filmes clássicos de todos os países e épocas. Scorsese é um caso raro no meio cinematográfico, em geral integrado por pessoas muito autocentradas. Tem consciência plena do que deve ao passado para fazer sua arte no presente. Também sabe que o cinema é feito em suporte frágil, que muitas vezes não resiste à passagem do tempo e aos maus tratos. Dessa forma, propôs-se a recuperar obras que tivessem sua existência ameaçada. É o caso de ‘Meu
Único Amor’ (foto) filme mudo de 1927, que será exibido ao ar livre, no Ibirapuera, acompanhado por orquestra. Luiz Zanin Oricchio. Parque Ibirapuera: 31/10, 20h.

ANÁLISE

A seleção de filmes, sugerida pela própria Foundation, apresenta um panorama bastante diversificado. Há títulos da fase silenciosa, como ‘Meu Único Amor’ (1927), de Sam Taylor, e ‘Limite’ (1931), do nosso Mário Peixoto. Vêm filmes bastante conhecidos, como ‘Aconteceu Naquela Noite’ (1934), de Frank Capra, e ‘Como Era Verde o Meu Vale’ (1941), de John Ford. E outros mais raros como ‘O Camponês Eloquente’ (1969), de Shadi Abdel Salam, ou ‘Manila nas Garras da Luz’ (1975), de Lino Brocka.
Claro, há o prazer da novidade ou a felicidade de rever na tela grande obras agora disponíveis em DVD ou outros suportes. Mas, como bem sabe o frequentador da Mostra, não é a mesma coisa ver um clássico num tablet ou numa esplêndida projeção em tela grande com a sala cheia de gente. Por isso mesmo, já tem gente salivando por algumas obras-primas. Por exemplo, ‘Rashomon’, de Akira Kurosawa que, em 1950, contava uma mesma história sob várias perspectivas. Ou ‘O Bandido Giuliano’ (1962), de Francesco Rosi, que teve grande influência sobre o cinema político de todo o mundo, incluindo o Cinema Novo brasileiro. E o que dizer de ‘Rocco e seus Irmãos’, de Luchino Visconti? Esse é para ver de joelhos. Luiz Zanin Oricchio

LIMITE

limite mário peixoto

Foto: Divulgação.

Talvez nenhum outro filme brasileiro mereça tanto a alcunha de ‘clássico’ quanto esse longa que Mário Peixoto filmou em 1931. Exibido pela primeira vez em uma sala na Cinelândia, no Rio, ‘Limite’ retorna agora em cópia restaurada. Oportunidade para contemplar suas imagens de grande carga simbólica.
Cinemateca: 28/10, 20h30.

 

ROCCO E SEUS IRMÃOS

rocco e seus irmãos luchino visconti

Foto: Divulgação.

Luchino Visconti divide os críticos quando se trata de apontar sua obra-prima. Entre os concorrentes ao posto, certamente está ‘Rocco e Seus Irmãos’, com a comovente história de uma família do Sul da Itália que tenta a sorte em Milão. Biblioteca Mário de Andrade: 25/10, 22h10. Frei Caneca – Espaço Itaú: 30/10, 19h10; 3/11, 13h30. Cine Olido: 31/10, 19h.

 

BOM DIA, TRISTEZA

bom dia tristeza otto preminger

Foto: Divulgação.

Otto Preminger rodou, em 1958, essa adaptação do best-seller de Françoise Segan, na qual mostra uma menina que tenta se livrar de seu estado de melancolia. No papel está Jean Seberg, que brilharia no ano seguinte em ‘Acossado’, de Godard. Frei Caneca – Espaço Itaú: 23/10, 15h15. Cinearte: 24/10, 14h. Reserva Cultural: 25/10, 19h30.

 

FOCO NÓRDICO

 Um panorama da festejada produção recente de Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia e Dinamarca

ovelha negra filme

Foto: Divulgação.

Mais uma inovação da 39ª Mostra. Desta vez, não será apenas um o país homenageado, mas toda uma região cultural englobada no panorama nórdico, com filmes da Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega e Islândia. Serão 60 filmes desses cinco países, a maior retrospectiva nórdica já apresentada no Brasil. Desse cardápio, destacam-se alguns títulos já sacramentados em festivais internacionais. ‘A Ovelha Negra’ (foto), de Grímur Hákonarson, por exemplo, foi considerado o melhor filme na seção Un Certain Regard, em Cannes. Foi também indicado pela Islândia para tentar uma das vagas no Oscar de melhor filme estrangeiro. Luiz Zanin Oricchio. Reserva Cultural: 28/10, 19h40; Frei Caneca – Espaço Itaú: 29/10, 17h15; 1º/11, 13h30; 4/11, 21h30. CineSesc, 31/10, 19h30.

VIRGIN MOUNTAIN

virgin mountain filme

Foto: Divulgação.

No filme do islandês Dagur Kari, premiado em Tribeca, um homem de meia idade mantém uma rígida rotina, tentando proteger-se dos perigos e imprevistos da vida. Mas tudo muda quando ele conhece uma mulher. Reserva Cultural: 27/10, 21h30. Frei Caneca – Espaço Itaú: 28/10, 15h15; 29/10, 19h45; 30/10, 21h45. Espaço Itaú Augusta: 3/11, 14h.

 

PERVERT PARK

pervert park filme

Foto: Divulgação.

Vencedor do prêmio especial do júri em Sundance, o documentário de Frida e Lasse Barkfors olha para criminosos sexuais e para suas vidas na comunidade Florida Justice Transitions, nos EUA. Matilha Cultural: 24/10, 20h. Cinearte: 25/10, 17h15. Caixa Belas Artes: 1º/11,18h50. Frei Caneca – Espaço Itaú: 2/11, 20h45. CineSesc: 3/11, 16h30.

 

MINHA IRMÃ MAGRA

minha irmã magra sanna lanken

Foto: Divulgação.

Nessa co-produção Suécia-Alemanha, a diretora Sanna Lanken olha para o complicado tema dos distúrbios alimentares e alcançou belas interpretações de suas jovens atrizes. Na obra, uma menina descobre que sua irmã mais velha sofre de anorexia. CCSP: 22/10, 15h. Cinemateca: 24/10, 19h. Cinesala: 26/10, 14h. Caixa Belas Artes: 27/10, 17h30.

 

PARDAIS

pardais rúnar rúnarsson

Foto: Divulgação.

O islandês Rúnar Rúnarsson conta a história de um adolescente que precisa deixar Reykjavik e retornar para a remota região de Westfjords. Lá, terá que morar com o pai, com quem tem uma difícil relação, e reencontrar seus amigos de infância. Frei Caneca – Espaço Itaú: 26/10, 19h30; 27/10, 22h; 1º/11, 19h45. CineSesc: 28/10, 17h15. Cinearte, 29/10, 16h20.

 

LATINOS

Obras premiadas em Cannes, Veneza e Berlim confirmam na Mostra a pujança da produção latina

a terra e a sombra

Foto: Divulgação.

Há uma belíssima oferta de filmes da América Latina na 39ª Mostra, e isso inclui a homenagem ao diretor chileno Patricio Guzmán, que recebe o prêmio Humanidade e apresenta o admirável ‘Botão de Pérola’. Entre as demais atrações latinas, outra especial é ‘A Terra e a Sombra’ (foto), do colombiano Cesar Augusto Acevedo, que venceu o Caméra d’Or, como melhor filme de diretor estreante, em Cannes. Acevedo conta a história de um homem que volta para casa depois de 17 anos. O filho está doente, tudo mudou, só a velha casa permanece a mesma. Nesse quadro, ele se sente um estranho no próprio meio. Vale lembrar que venceu em Cannes conquistando a unanimidade do júri. Luiz Carlos Merten. CineSesc: 24/10, 22h. Caixa Belas Artes: 25/10, 22h. Cinesala: 1º/11, 18h. Cinearte: 3/11, 14h.

 

DESDE ALLÁ

desde allá

Foto: Divulgação.

Ator fetiche de Pablo Larrain, o chileno Alfredo Castro estrela o longa de Lorenzo Vigas sobre um gay de meia idade que se envolve com garoto violento da rua. Venceu o Leão de Ouro em Veneza. Cinesesc: 25/10, 18h40. Frei Caneca – Espaço Itaú: 26/10, 18h; 3/11, 22h. Espaço Itaú Augusta: 29/10, 18h15. Reserva Cultural: 1º/11, 22h.

 

O BOTÃO DE PÉROLA

o botão de pérola patricio guzmán

Foto: Divulgação.

Há um mistério no cinema do chileno Patricio Guzman. O que faz com que ele, partindo de aspectos tão particulares, consiga tecer essa tapeçaria delicada que envolve o espectador e lhe permite sempre voltar ao tema obsessivo de seu cinema. A batalha do Chile, a ditadura de Pinochet, os desaparecidos políticos. É um texto tão belo que permite que se entenda e aceite o prêmio de roteiro que o documentário ganhou na Berlinale. Deveria ter sido o Urso de Ouro. Cinearte: 28/10, 18h15. Matilha Cultural: 29/10, 19h30. Cine Olido: 30/10, 19h. Frei Caneca – Espaço Itaú: 2/11, 21h45. Cinesala: 3/11, 18h20.

CHRONIC

chronic

Foto: Divulgação.

O protagonista de ‘Chronic’ figurou em outro importante festival – Tim Roth presidiu o júri de Un Certain Regard de Cannes em 2012. No longa exibido na Mostra, ele é um enfermeiro que cuida de pacientes terminais. Cinesala: 22/10, 21h30. Cinearte: 23/10, 17h15. Reserva Cultural: 24/10, 18h30. Frei Caneca – Espaço Itaú: 25/10, 17h45. CineSesc: 28/10, 19h45.

 

O APÓSTATA

Foto: Divulgação.

Prêmio da crítica e especial do júri em San Sebastián, o longa de Federico Vieroj mostra um garoto que se indaga sobre assuntos que o ultrapassam – fé, culpa, desejo. Pode não ser um grande filme, mas perturba pelo cinismo do protagonista. Cinearte: 24/10, 15h50. Caixa Belas Artes: 26/10, 15h50. Frei Caneca – Espaço Itaú: 30/10, 17h50; 31/10, 17h10. Cinemateca: 1º/11, 21h.
APOSTAS

Nossos especialistas escolhem os títulos que devem ser os maiores destaques desta edição

LUIZ CARLOS MERTEN (CRÍTICO DE CINEMA DO CADERNO 2):

Son of Saul
“O húngaro László Nemes abre uma fresta para falar do Holocausto. É um dos filmes mais incômodos já feitos. E o primeiro a esgotar os ingressos.”

Ixcanul
“Você vai descobrir que há um grande jovem diretor na Guatemala. Jayro Bustamante e a vida de uma garota à sombra do vulcão.”

O Evento
“Maior cineasta russo contemporâneo, Sergey Loznitsa reflete sobre eventos que levaram à queda do Muro de Berlim e à derrocada da URSS. Visceral.”

Um Caminho para Dois
“Um casal maduro cai na estrada refazendo sua viagem de lua de mel. A obra-prima de Stanley Donen restaurada. E com Audrey Hepburn e Albert Finney”

Minha Irmã Magra
“O melhor filme com temática jovem na Berlinale. Duas irmãs e suas desordens afetivas e alimentares deram o Urso de Cristal à Sanna Lenken.”

 

LUIZ ZANIN ORICCHIO (CRÍTIC DE CINEMA DO CADERNO 2):

As Mil e Uma Noites
“A crise portuguesa, narrada no tom dos famosos relatos árabes de Sherazade. A trilogia contém momentos sublimes.”

O Botão de Pérola
“Patricio Guzmán consegue unir o pensamento cósmico à reflexão política, num filme poético, duro e fundamental.”

Para Minha Amada Morta
“Ótima estreia de Aly Muritiba na ficção. Viúvo descobre que era traído pela mulher. Filme sempre original e inesperado.”

Dheepan – O Refúgio
“Palma de Ouro para a saga de três refugiados que fingem ser da mesma família para se abrigar em subúrbio francês.”

Sob Nuvens Elétricas
“Distopia em 2017, no centenário da Revolução Russa. Céu nublado, gelo e lembranças penosas. Belo e triste.”

 

RAFAEL ABREU (REPÓRTER DE CINEMA DO DIVIRTA-SE):

As Mil e Uma Noites
“Depois da bela melancolia de ‘Tabu’ (2012), o cruzamento entre Sherazade e a crise portuguesa prometem.”

Boi Neon
“O longa promete ser o melhor de Gabriel Mascaro, que em ‘Ventos de Agosto’ (2014) já havia mostrado sofisticação.”

Son of Saul
“Trabalho de estreia do húngaro László Nemes, o longa, detalhado nas crueldades, fez sensação em Cannes.”

Mate-me Por Favor
“Filmes que tentam expressar, com inteligência, o que é ser jovem no Brasil são bem-vindos. Este parece um deles.”

Sob Nuvens Elétricas
“Imigração, urbanismo e gentrificação são apenas alguns dos temas que o filme de beleza absurda aborda.”

 

UBIRATAN BRASIL (EDITOR DO CADERNO 2):

Sabor da Vida
“Candidato a cult da Mostra, exibe diversos tipos de amizade: entre um rapaz e uma senhora por meio da culinária e dela com a natureza.”

A Terra e a Sombra
“Grandes campos de cana de açúcar rodeiam uma casa, onde a chegada de um velho fazendeiro vai finalmente mudar a rotina. Tocante.”

Body
“Um perito criminal, sua filha anoréxica e uma terapeuta médium – três personagens com visões totalmente distintas sobre o corpo e a alma.”

Aferim!
“Na Romênia do século 19, policial e o filho atravessam o país em busca de um escravo cigano foragido. Noções de liberdade totalmente atuais.”

All that jazz
“Recuperado pelo The Film Foundation, o último musical de Bob Fosse continua uma brilhante avaliação da vida pessoal e artística.”

 

BRASILEIROS
Novo filme de Hector Babenco e as revelações dos festivais do Rio e de Brasília estão na seleção

 

A Mostra, que exige ineditismo em sua seleção internacional, é generosa ao permitir que filmes brasileiros já exibidos e premiados em festivais no País possam concorrer aos prêmios em dinheiro que, muitas vezes, fazem toda diferença na hora do lançamento. Hector Babenco inaugurou a Mostra com seu novo longa, ‘Meu Amigo Hindu’, interpretado por Willem Dafoe, como o alter ego do diretor, e Maria Fernanda Cândido, que resume características de suas três mulheres. (Cinearte: 25/10, 21h)
Mas não se afobe, se não conseguir vê-lo – a estreia está apontada para 4 de fevereiro. Na ala nacional dessa 39ª edição, estão os vencedores dos festivais do Rio e Brasília. São filmes que apontam para a diversidade e excelência que pode ter o cinema nacional. Há também uma seleção de obras clássicas que estão voltando em versões restauradas. ‘Limite’, de Mário Peixoto, ‘Esse Mundo É Meu’, de Sérgio Ricardo, e ‘O Bravo Guerreiro’, de Gustavo Dahl, todos imperdíveis. Luiz Carlos Merten

BOI NEON
O longa do pernambucano Gabriel Mascaro aborda o universo das vaquejadas e traz Juliano Cazarré em tórridas cenas de sexo (Há controvérsia se são explícitas). O filme foi o grande vencedor do Festival do Rio, mas não levou o Redentor de direção. Ganhou roteiro, fotografia e atriz coadjuvante. Reserva Cultural: 28/10, 21h50. Cinearte: 1º/11, 18h. Frei Caneca – Espaço Itaú: 4/11, 13h30.

ASPIRANTES
Vencedor dos prêmios de direção (Ives Rosenfeld) e ator (o excepcional Ariclenes Barroso) no Festival do Rio, conta a história de um jovem que sonha fazer carreira no futebol, num time de várzea de Saquarema, no interior do Rio. A vida como ela é – prepare-se para o diálogo mais vivo do ano. Caixa Belas Artes: 29/10, 21h50. Cinearte: 2/11, 18h. Espaço Itaú Augusta: 4/11, 14h.

FUTURO JUNHO
vazio provocado pela morte de Eduardo Coutinho, Maria Augusta Ramos for hoje a maior documentarista do Brasil? Seu novo filme é paulista, na essência. Acompanha quatro pessoas nas manifestações pré-Copa, em 2014. Parece um recorte pequeno, mas é o Brasil inteiro. Cinearte: 25/10, 18h45. Frei Caneca – Espaço Itaú: 26/10, 15h45; 3/11, 19h50.

PARA MINHA AMADA MORTA
Depois de um documentário elogiado, Aly Muritiba se lança à ficção para tratar de um homem que tenta superar a perda vingando-se do assassino da mulher. Para isso, buscará seduzir a mulher do outro. Prêmio de direção no Festival de Brasília. CineSesc: 31/10, 21h45. Frei Caneca – Espaço Itaú: 2/11, 19h. Cinearte: 4/11, 14h.

 

FIQUE DE OLHO

A Mostra abre uma exceção e programa um curta. ‘Dá Licença de Contar’, de Pedro Serrano, costura sua história às canções de Adoniran Barbosa. É maravilhoso.

Jesuíta Barbosa sequestra a amada e a esconde na barriga de uma baleia, alegoria de escola de samba. A Bíblia e o carnaval como você nunca viu – ‘Jonas’, de Lô Politi. Uma descoberta. Cinearte: 24/10, 19h45; 4/11, 17h. MIS: 1º/11, 15h

ZÉ DO CAIXÃO

Personagem amado e odiado será celebrado com exibições gratuitas e prêmio Leon Cakoff

Admirado por Glauber Rocha, desprezado pela crítica e perseguido pela censura, José Mojica Marins rodou cerca de 150 filmes em mais de 40 anos de carreira, mas foi apenas em um punhado deles que interpretou o personagem que o deixou conhecido até nos Estados Unidos: Zé do Caixão. É essa trajetória tão singular que será homenageada com o Prêmio Leon Cakoff. E, com exclusividade, a Mostra irá exibir, no Cinearte, no dia 29/10, 19h, os dois primeiros capítulos da série ‘Zé do Caixão’, dirigida por Vitor Mafra e protagonizada por Matheus Nachtergaele, que conta a história da vida e obra de Mojica Marins.

Para aqueles que não conhecem o trabalho do cineasta, serão exibidos três filmes marcantes de sua trajetória: ‘À Meia Noite Levarei Sua Alma’, ‘Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver’ (ambos em sessões gratuitas no vão livre do Masp) e ‘Encarnação do Demônio’, no Cinearte. Um show de experimentalismo, com incríveis efeitos especiais. Ubiratan Brasil

À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA
Zé do Caixão, sádico coveiro de uma cidade do interior, é obcecado em gerar o filho perfeito. Como a mulher não engravida, ele investe na namorada de um amigo. Ela morre e volta em busca de sua alma.
Masp: 28/10, 19h30.

ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER
Após sobreviver a um ataque sobrenatural, Zé do Caixão continua na busca da mulher capaz de gerar o filho perfeito. Ele rapta seis moças, submetendo-as às mais terríveis torturas. Masp: 29/10, 19h30.

ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO
Após passar mais de 40 anos preso, Zé do Caixão é solto. Mas ele continua obcecado pela mulher que possa gerar seu filho perfeito. Em sua busca, ele deixa um rastro de terror em São Paulo, enfrentando crendices populares. Cinearte: 29/10, 22h.

OSCAR
Fortes concorrentes a melhor filme estrangeiro estão na programação, como o húngaro ‘Son of Saul’

Ixcanul. O representante da Guatemala conquistou a crítica com história de uma menina grávid

Pai. O olhar carinhoso ao problema atual dos imigrantes é o trunfo do longa de Kosovo

O Abraço da Serpente. Obra do colombiano Ciro Guerra sobre as feridas da colonização

A Mostra vai oferecer uma boa oportunidade para se conhecer alguns daqueles que concorrem com ‘Que Horas Ela Volta?’ pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. Como o húngaro ‘Son of Saul’ que traz temas caros à Academia de Hollywood: durante a guerra, em Auschwitz, prisioneiro forçado a queimar cadáveres do próprio povo encontra alívio moral ao tentar salvar das chamas o corpo de um menino. Já o romeno ‘Aferim!’ comprova a boa fase daquela cinematografia. Rodado em preto e branco, o filme se passa no século 19 quando dois representantes da lei caçam um fugitivo. Como as relações de poder na época concediam direitos exclusivos a quem tinha posse, o diretor Radu Jude aproveita para criticar o horror do mundo também de hoje. Finalmente, de Kosovo, outro forte concorrente: ‘Pai’, sobre um garoto de 10 anos que ruma até a Alemanha em busca do pai. Ubiratan Brasil

PREMIADOS
Os filmes que conquistaram os júris de Cannes, Berlim, Sundance e de outros grandes festivais
DHEEPAN – O REFÚGIO
Para muitos críticos, foi a vitória da persistência. Jacques Audiard concorreu tantas vezes em Cannes que um dia teria de ganhar sua Palma de Ouro. É menosprezar as belas qualidades de ‘Dheepan’. Um homem do Sri Lanka ‘improvisa’ uma família. Uma mulher qualquer, uma criança. Assim consegue asilo na França e foge da guerra em seu país. Cai em outra guerra – a de grupos rivais e, pior ainda, contra os imigrantes. Jesuthasan Antonythasan é escritor, não ator. E está inesquecível no papel. Frei Caneca – Espaço Itaú: 22/10, 21h15. Cinearte: 24/10, 17h30. Caixa Belas Artes: 25/10, 18h. Espaço Itaú Augusta: 28/10, 21h40.

MAGICAL GIRL
O filme do espanhol Carlos Vermut foi o grande vencedor de San Sebastián, em 2014. Agraciado com a Concha de Ouro de melhor filme e o prêmio de melhor diretor, o longa mostra os dilemas de um homem, empenhado em satisfazer os últimos desejos da filha. A menina, que está morrendo de leucemia, sonha com o vestido de uma série japonesa, o que envolverá o pai em uma rede de chantagens. Frei Caneca – Espaço Itaú: 26/10, 17h; 28/10, 13h30; 1º/11, 21h45. Cinesala: 3/11, 20h. MIS: 4/11, 18h25.

AFERIM!
Muitos dos filmes que fizeram a cabeça do júri de Berlim em 2015 estão nesta edição da Mostra. Entre eles, vale ficar de olho em Aferim!, pelo qual Radu Judes dividiu o Urso de Prata de melhor direção com a polonesa Malgorzata Szumowska. Com nítido tom político, o filme é ambientado na Romênia do século 19 e mostra a saga de um policial que atravessa o país em busca de um escravo cigano foragido. Frei Caneca – Espaço Itaú: 22/10, 17h45; 24/10, 13h30. Cinesala: 27/10, 21h20. Espaço Itaú Augusta: 2/11, 20h. Cinearte: 4/11, 21h45.

O ABRAÇO DA SERPENTE
O filme do colombiano Ciro Guerra foi destaque na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes. Em ‘O Abraço da Serpente’, evidencia-se a relação entre um xamã, único remanescente de uma tribo amazônica, e dois cientistas que, ao longo de 40 anos, percorrem a floresta à procura de uma planta sagrada. Ciro Guerra já havia chamado atenção em Cannes, em 2009, com o drama ‘The Wind Journeys’ – também exibido na 33ª Mostra. Reserva Cultural: 29/10, 19h30. Cinesala: 30/10, 15h45. CineSesc: 31/10, 15h. Frei Caneca – Espaço Itaú: 2/11, 21h15; 3/11, 21h45.

PARA O OUTRO LADO
Prêmio de direção da Un Certain Regard do Festival de Cannes, Kiyoshi Kurosawa propõe um improvável reencontro entre uma viúva e seu marido, morto havia três anos. Frei Caneca – Espaço Itaú: 26/10, 15h20; 2/11, 13h30. CineSesc: 27/10, 16h45. Espaço Itaú Augusta: 30/10, 15h30; 31/10, 20h.

A BRUXA
Robert Egger cativou Sundance, onde levou o prêmio de direção. A trama examina a colonização norte-americana, no século 17 – cenário para examinar a intolerância religiosa. Cinearte: 30/10, 23h59. Frei Caneca – Espaço Itaú: 31/10, 21h50; 3/11, 20h. Cinesala: 1º/11, 22h15. Espaço Itaú Augusta: 2/11, 18h.

SON OF SAUL
Embora o cinema já tenha feito muitas representações do Holocausto, com certeza não esgotou o tema. Prova disso é o longa do húngaro Lazslo Nemes, premiado pelo júri e pela crítica em Cannes. Guarda em um campo de concentração, judeu crê identificar o filho numa montanha de mortos. Prepare-se para um choque. Cinearte: 22/10, 20h. Cinesala: 23/10, 18h. Reserva Cultural: 24/10, 23h. CineSesc: 26/10, 21h30. Frei Caneca – Espaço Itaú: 31/10, 19h50.

BODY
Com o longa, a polonesa Malgorzata Szumowska conquistou o Urso de Prata de melhor diretora no Festival de Berlim. Há muito de humor negro na reflexão que a cineasta propõe sobre a perda e as diferentes formas de vivenciá-la. Na obra, ela flagra os pontos de contato entre as histórias de vida de três personagens: um perito criminal, sua filha anoréxica e a terapeuta da menina, que crê se comunicar com os mortos. Caixa Belas Artes: 23/10, 16h45. Frei Caneca – Espaço Itaú: 27/10, 19h45; 28/10, 20h15; 4/11, 15h30. Cinearte: 3/11, 17h45.

DEVEM DAR O QUE FALAR
Toda edição da Mostra tem a sua cota de filmes imperdíveis – clássicos pra rever ou descobrir

MANOEL DE OLIVEIRA
Manoel de Oliveira morreu aos 106 anos. Deixou dezenas de filmes. Teve uma das mais notáveis carreiras da história do cinema. E ainda deixou uma ‘supresa’. ‘Visita ou Memórias e Confissões’ é um filme inédito, que ele rodou em 1982, e manteve trancado em um cofre para que fosse exibido publicamente apenas após a sua morte. Frei Caneca – Espaço Itaú: 31/10, 13h30. Matilha Cultural 1º/11, 16h30. Cinesala: 2/11, 17h45. CineSesc: 3/11,15h. Cinearte: 4/11, 22h50.

AS MIL E UMA NOITES
O português Miguel Gomes observa seu país em estado de prostração devido à crise. Recolhe histórias tristes, mas as submete ao encantamento de um relato fantástico, ainda que desolador. Por isso seu filme, dividido em três capítulos, não é uma adaptação do clássico árabe, mas assume sua estrutura. Cabe a Sherazade narrar o absurdo sem cair em depressão. Vol. 1 – Frei Caneca – Espaço Itaú: 24/10, 13h30, 31/10, 21h45. CineSesc: 1º/11, 15h. Espaço Itaú Augusta, 3/11, 15h50. Vol. 2 – Cinesala 24/10, 14h. Reserva Cultural, 31/10, 16h30. CineSesc, 1º/11, 17h30. Frei Caneca – Espaço Itaú, 2/11, 19h30. Vol. 3 – Frei Caneca – Espaço Itaú: 31/10, 18h30. Cinesesc: 1º/11, 20h. Espaço Itaú Augusta: 2/11, 19h50. Cinesala 3/11, 16h.

TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE
O filme que rendeu o Director’s Fortnight em Cannes a Arnaud Desplechin carrega referências a vários títulos anteriores do diretor. Na obra, um homem recorda seu passado. Reserva Cultural: 31/10, 21h10. Cinesala: 1º/11, 20h. Frei Caneca – Espaço Itaú: 2/11, 17h45; 3/11, 15h15; 4/11, 20h15.

QUE VIVA EISENSTEIN!
O novo título de Peter Greenaway promete causar barulho e está sendo encarado como uma nova forma de fazer biográficas cinematográficas. Na tela, o polêmico relato da aventura gay de Serguei Eisenstein, o cultuado diretor russo de ‘Encouraçado Potemkim’, no México. CineSesc: 25/10, 16h40. Cinearte: 1º/11, 22h; 2/11, 21h45

VIRGEM JURAMENTADA
Nas montanhas da Albânia, mulheres estão condenadas a se casar e servir. O único jeito de escapar desse destino e poder ‘viver como homem’ é jurar virgindade eterna. O filme de Laura Bipuri oferece um grande papel a Alba Rohrwacher. Frei Caneca – Espaço Itaú: 23/10, 15h30; 24/10, 17h30; 25/10, 17h30.

CORAÇÃO DE CACHORRO
Lembranças pessoais, tributos a artistas, uma reflexão sobre a morte. Cabe tudo isso no filme de Laurie Anderson, que trata de seu afeto pela cachorra Lolabelle, morta em 2011. O longa será precedido pelo curta ‘Dá Licença de Contar’. CineSesc: 23/10, 23h. Cinesala: 26/10, 18h. Sesc Belenzinho: 4/11, 20h.

MOSTRA MARIO MONICELLI
Mario Monicelli, mestre da comédia italiana, faria 100 anos em 2015. Por isso, nada mais justo que homenageá-lo com cinco títulos da sua vasta filmografia. Alguns deles são muito conhecidos – ‘Os Eternos Desconhecidos’ (1958), ‘A Grande Guerra’ (1959) e ‘Casanova 70’ (1965). Outros menos, como ‘Filhas do Desejo’ (1950). Mario era grande. Irônico e crítico, fazia rir e pensar com seus filmes.