Yes, they can

Sonia Racy

22 de setembro de 2010 | 23h10

A mediação de Bill Clinton durante o debate Paz e Além no Oriente Médio, que reuniu Shimon Peres, presidente de Israel; Salam Fayyad, primeiro ministro da Autoridade Palestina, e o príncipe Hamad Al-Khalifa, do Bahrein, foi uma aula sobre qual o caminho mais produtivo na solução do histórico conflito religioso. Como diria o marqueteiro do ex-presidente dos EUA, James Carville: “É a economia, estúpido”.

Clinton, organizador do encontro anual da sua ONG Clinton Global Initiative, jogou na mesa a questão econômica abrindo espaço para os três debatedores anunciarem em alto e bom tom que precisam de mais água, energia e tecnologia. E dinheiro para tudo isso. “Melhor do que investir em conflito”, ressaltou Fayyad, enfatizando que a Palestina está aberta para negócios.

Conclamando a iniciativa privada a ver a região com melhores olhos apostando no futuro, os três líderes, ajudados por Clinton, fizeram a plateia de pesos-pesados, sentada na sala do Sheraton, compreender algumas coisas. Exemplo: ao encontrar um emprego e um motivo para viver, resultado de desenvolvimento econômico, os palestinos certamente não seriam facilmente cooptados pelos radicais. Isto é, não mais se prestariam a serem transformados em homens-bomba. “E para provar que os liderados por Maomé têm, sim, condições de prosperar, Clinton soltou a frase: “Eu nunca conheci um palestino pobre fora da Faixa de Gaza”. Risos pela plateia, com exceção do líder da Autoridade Palestina.

Não, o debate não transcorreu sem tensão no ar. Era nítido o desconforto de Fayyad, orador fraco, e as ironias de Peres, cuja capacidade de expressão é gigantesca. O líder israelense provocou o palestino, sutilmente, diversas vezes. Em uma delas, colocou à disposição toda tecnologia desenvolvida por Israel na região. “Se Israel pode usufruir de melhores condições proporcionadas pela nanotecnologia, todos no Oriente Médio também poderiam, é só querer.” O príncipe do Bahrein? Totalmente pró-mercado, só lamentou a região estar espremida entre o capitalismo e o mercado de capitais.

Desavenças, como as com o Egito, foram lembradas por Peres. “Eles não são um país inimigo e, sim, inimigos que possuem um país”, ponderou. Consequência direta do fato dos egípcios não admitirem compartilhar o Nilo em área absolutamente carente de água. Clinton não deixou que qualquer discórdia se aprofundasse, enfatizando o futuro, pedindo para não mais olharem para trás. Expressou sua opinião de que a iniciativa privada será a grande responsável por tirar o Oriente Médio do buraco, investindo cada vez mais na economia local. E comparou a possibilidade de agregar os estados no Oriente Médio ao sucesso que teve na costura do Nafta, unindo México, Canadá e EUA. Otimista, não?

SONIA RACY viajou a convite da BrazilFoundation

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