Voz de minas

Voz de minas

Sonia Racy

12 de janeiro de 2014 | 01h10

Foto: Arquivo pessoal

Quando David Marcondes se apresenta como cantor, a pergunta é inevitável: pagode? O physique du rôle deste mineiro de 43 anos ajuda a confundir os interlocutores, mas sua voz, premiada aqui e lá fora, se presta a outra arte, a ópera. O barítono já foi Escamillo, na Carmende Bizet, e Amonasro, rei da Etiópia, na Aida de Verdi – que ele encenou recentemente na Europa. Sem falar nas aclamadas participações em Jupyra, de Antônio Francisco Braga, e na Cavalleria Rusticana, de Mascagni, em outubro no Municipal de São Paulo – do qual é solista principal. Diferentemente do que se imagina, Marcondes iniciou tarde os estudos de canto, aos 27 anos. “Queria mesmo era desenhar”, diz ele, que, apesar da carreira internacional, ainda dedica parte de seu tempo às cores e formas. O reconhecimento veio em 1999, com Non Ti Scordar di Me, em dueto com outra fera da ópera nacional, Paulo Szot – parte da trilha sonora da novela Terra Nostra, da Rede Globo. Daí em diante, as portas dos principais teatros do Brasil e do mundo se abriram. O cantor está, desde semana passada, na Eslovênia, onde encarna Amonasro até dia 22. E se prepara para encenar, em março no Municipal, Il Trovatore, de Verdi – compositor de quem se declara fã. “Ele sempre deu muito valor aos barítonos”, explica. O primeiro semestre de Marcondes se encerra também no Municipal, com Carmen. Fôlego, pelo que se vê (e se ouve), não falta mesmo ao moço.

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