Violão das letras

Redação

29 de agosto de 2008 | 16h48

Caetano Veloso soltou o verbo, anteontem, em São Paulo. No lançamento do livro O que a Esquerda Deve Propor, de Mangabeira Unger, foi ele quem mais fez proposições. Falou sobre cotas raciais, “hegemonia americana”, cristianismo, aborto e… Lula.

Veja também:
Galeria de fotos do lançamento de ‘O Que a Esquerda Deve Propor’


Comentou o show com Roberto Carlos: “Adorei. Somos amigos de longa data. Deu muito trabalho”. Tão lacônico? Sua assessoria justificou: “É que ele ainda não teve tempo de ler as críticas”.

Questionado sobre a esquerda e o governo Lula, falou: “Não declarei guerra ao governo. Só que nunca estarei em paz com o mensalão. Nunca estive e nunca estarei”. Classificou o presidente entre o primeiro e o segundo “tipos” de esquerda que constam do livro de Mangabeira.

O primeiro é a esquerda rendida aos interesses da globalização. O segundo tipo, uma esquerda “recalcitrante”.

No debate com Caetano, Mangabeira afirmou que o Brasil veste “camisa de força”. Como sair? “Casar rebeldia com imaginação.” Mais tarde, chamou de “imoral” a política indigenista brasileira: “Ela trata os índios como crianças. Mas eles são pessoas como todos nós”.

Bom, passado é passado. E o ministro elogiou Lula, classificando-o como intuitivo. Comparou-o ainda ao presidente Franklin Roosevelt.

Caetano, por sua vez, elogiou o pensamento mangaberiano. Mas, ao trombar com Eduardo Giannetti, ouviu ressalvas a uma passagem do livro. O baiano, pensou, olhou e deu uma ré: “Nossa, adorei, bem pertinentes”. Simpático e paciente, antes de sair, deu mais uma paradinha para falar sobre… paganismo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: