Em clima de solidariedade, artistas se apresentam no Prêmio da Música Brasileira

Sonia Racy

21 de julho de 2017 | 00h45

 

“Tudo à nossa volta faz com que a gente queira desistir. É uma loucura fazer isso acontecer”, diz José Maurício Machline no discurso de abertura da 28.ª edição do Prêmio da Música Brasileira, no Theatro Municipal do Rio.
A frase do empresário remete à dificuldade financeira enfrentada por ele para garantir a festa. Sem patrocínio, o evento vendeu ingressos ao público pela primeira vez e teve apoio total dos artistas – que não cobraram cachê. Segundo Machline, “até as lindas assistentes de palco”, amigas de sua filha mais nova, nada cobraram.

“Numa hora dessas, fazemos sem ninguém para ajudar, fazemos acontecer. Tem que ter muita solidariedade mesmo em um País onde nunca se fez nada pela cultura. Nem Lula, nem FHC. Ninguém”, afirmou Maitê Proença, uma das apresentadoras da noite junto com Zélia Duncan. Ocupando o mesmo camarim, as duas trocavam dicas. A cantora pediu a opinião da atriz sobre o brinco que usava. “Acho que está lindo”, replicou Maitê, mas sem convencer. “Ah, vou tirar. Desculpa, gente”, lamenta-se a cantora olhando para a sua equipe.
Além de dividir o comando da cerimônia, Zélia também escreveu o roteiro do evento, que este ano homenageou Ney Matogrosso. “Eu mergulhei muito nisto aqui porque escrevi o texto. E o Ney, pô, ninguém passa impunemente pelo Ney. Ele falou de sexo na ditadura e isso é incrível. Ney não era o cara barbudo e machão que a esquerda queria que ele fosse, nem tinha pôster do Che Guevara, mas fazia as coisas do jeito dele”, afirmou a cantora.

Zeca Pagodinho – recém saído do hospital por causa de um acidente com seu quadriciclo – circulava animado pela área do bufê, colocada no backstage. “Maitêêê! Te vejo sempre na novela!”, grita o cantor. Rindo, a atriz responde que não está com nenhum trabalho na televisão no momento. “No Viva, Maitê!”, explica Zeca.

Alheio às dificuldades de orçamento da festa e à situação política do País, o sambista explica que, sobre assuntos ruins, prefere nem falar. “Me dá arrepio só de pensar em política. Desgosto mesmo”. Zeca levou uma das 35 categorias da noite, a de melhor cantor de samba.

Ivete Sangalo fez questão de passar pelos camarins antes do início da cerimônia, Ela seria a primeira a interpretar uma das canções de Ney. “Como você está liiiindaa, Zélia! Você também, Maitê. Nós todas, né?”

Chico Buarque, que também se apresentou, ficou o tempo inteiro no camarim de Ney. Quem ficou do lado de fora ouviu a conversa animada do grupo e o violão do músico.

Apoiadora do prêmio desde seu início, Fernanda Montenegro fez uma rápida passagem pelos bastidores, antes do início do evento. “Alguém sabe o lugar da Fernanda?”, perguntou Zé Maurício. “Não precisa se preocupar porque eu trouxe o convite, sou toda organizada”, riu a atriz.

Foi Zeca Pagodinho quem cravou a conclusão da noite: “Vendo pelo lado positivo, até que foi boa essa dificuldade.

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