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Sonia Racy

15 de agosto de 2011 | 23h00

Thomas Kelly, cônsul americano, deixa São Paulo. Assume, em Washington, o posto de secretário adjunto para assuntos políticos militares. “Se tiver sorte, meu trabalho me trará de volta”, destaca Kelly que, na condição de californiano, se sente em casa por aqui. “Os brasileiros são calorosos, pessoas acolhedoras e abertas. E muito otimistas. Todo mundo com quem converso acredita que seus filhos terão uma vida melhor que seus pais.”
Lembra que a Amcham em SP é a maior câmara de comércio americana fora dos Estados Unidos e que nada menos que 350 empresas da Fortune 500 têm operações no Brasil. Além disso, o consulado paulista emite mais vistos do que qualquer outro no mundo. Substituto? Só no ano que vem. Kelly sai dia 27.

O que o senhor deixa para seu sucessor?
O distrito coberto pelo consulado abrange cinco estados, com 72 milhões de habitantes. Meu sucessor continuará o trabalho de construir pontes de entendimento e melhorar ainda mais o processo de vistos, ajudar a aumentar o interesse e o número de pessoas que desejam estudar nos EUA e vice-versa.

Qual o volume de vistos emitidos pelo consulado?

Em 2010, foram cerca de 320 mil somente em São Paulo. Mais do que qualquer outro posto diplomático dos EUA no mundo. E este ano promete: até julho, foram 228.514 vistos. Aumento de 32%. Estamos atendendo 2.300 solicitações por dia. Até o fim do ano imagino quase 500 mil.

Entre a chegada e a partida, que transformações percebeu?

Assistimos à eleição histórica da primeira mulher presidente do Brasil e recebemos, além de vários funcionários do alto escalão, o presidente Obama no início da crise na Líbia. Ele não cancelou sua visita pela importância do Brasil. E é significativo o presidente ter escolhido vir para cá antes de a presidente visitar os EUA.

O que os Estados Unidos esperam do Brasil?

Consideram o País como um ator global, não apenas emergente, mas que já emergiu. Nosso relacionamento tem dimensão bilateral, mas o aspecto mais importante diz respeito à forma como trabalhamos em conjunto para resolver problemas do mundo. Vocês são, talvez, o primeiro país de dimensões continentais a se inserir no contexto global apenas com o uso do soft power – ideais, valores e diálogo.

A presença das empresas americanas está aumentando?

Definitivamente. A sensação é que converso, a cada semana, com um novo CEO americano interessado em investir aqui. Empresas de pequeno e médio porte, inclusive.

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