Uma questão de estilo

Uma questão de estilo

Direto da Fonte

15 de fevereiro de 2015 | 15h39

A maior celebridade do primeiro dia do Expresso 2222, em Salvador, não era artista. ACM Neto mal conseguia andar no espaço de Flora Gil. “Sou folião, sempre fui, é meu estilo”, contou – domingo passado, vídeo caiu na rede com o prefeito pulando na pipoca junto da galera. Planos para 2016? “Quero saúde”, despistou. “É um pecado falar de eleição neste momento.”

E o escândalo da Petrobrás? “Lamentável. A empresa, que sempre patrocinou o carnaval da Bahia, mas, neste ano, não investiu. Dinheiro que era para projetos culturais deixaram de ser utilizados por desvios de corrupção”, declarou, preferindo, entretanto, não reforçar o coro dos que pedem o impeachment da presidente Dilma. “Não é pauta agora. Não existe clima no País para isso.”

A tiracolo com dois amigos, Riccardo Tisci (na foto, com Flora Gil), estilista da Givenchy, começou a folia cedo em Salvador. Apaixonou-se por caipirinha de seriguela, que se tornou sua bebida até o fim da noite de sexta no camarote. Ele deu início aos trabalhos no Yacht Club; depois, passou pela casa de Gilberto Gil e foi acompanhar o trio do Baiana System no Campo Grande. Mas desistiu, ao saber que o caminhão havia quebrado e ficou parado mais de uma hora em plena avenida.

Na chegada ao Expresso 2222, o designer italiano se refugiou no cercadinho VIP, recusando-se a posar para fotos. No camarote, a maioria dos foliões nem sabia de quem se tratava. Não era o caso de Solange, do Aviões do Forró, que falou do estilista com Preta Gil: “Soube que Riccardo Tisci está aí. Eu e Xandy (seu marido e vocalista da banda) somos viciados em Givenchy.”

Atração da Varanda Elétrica do Expresso, Preta Gil conversava com um tio da família: “Vou casar, hein? E vai ser uma vez só. Será dia 12 de maio, uma terça. Reserve dois dias, um pra festa e outro pra ressaca”. A escolha da data foi pensada na agenda do pai, Gilberto Gil, e dos padrinhos – dentre os quais Ivete Sangalo e Thiaguinho. “É dia que ninguém tem show”, explicou à coluna. “Já me casei quatro vezes, mas, na igreja, será uma vez só.” Motivo? “Arrumei um príncipe.”

O arrocha e o pagode baiano estão fortes na avenida e viraram motivo de discussão entre veteranos do axé, que afirmam ter dado espaço demais a outros gêneros. Gil discorda: “Quem disse que a axé music é dona do carnaval? Não é, assim como não é do pagode baiano, nem dos blocos afros. O carnaval é isto aqui: interação”.

Lucinha Araújo, mãe de Cazuza e ferrenha defensora do uso da camisinha, curtia pela primeira vez o carnaval da Bahia. “Estou apaixonada”, declarou. E aproveitou a sensualidade inerente à festa para reafirmar seu discurso. “Essa nova geração não conheceu a cara da Aids, porque agora existem esses remédios que deixam as pessoas com um rosto saudável. E voltaram a se infectar. Eu fico alarmada.” /PEDRO FRANÇA

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