Uma noite para Tancredo

Uma noite para Tancredo

Sonia Racy

18 de março de 2010 | 08h40

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Foi uma das filas mais vips dos últimos tempos. Alinhados à espera de uma dedicatória de Rubens Ricúpero, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, anteontem, estavam José Goldemberg, Celso Lafer, Aloisio Araújo, Sérgio Amaral, Emílio Odebrecht, Emanoel Araujo… e muitos outros.

 O tom da noite era de nostalgia. As 450 páginas do livro Diário de Bordo contam a história de um governo que começava a ser e que não foi – as breves semanas entre a eleição de Tancredo Neves, em janeiro de 1985, e sua morte às vésperas da posse no Planalto, em março. Um “pré-governo” marcado por visitas a líderes da Europa e dos EUA.

“Eu estava então na Embaixada em Washington”, relembra Sergio Amaral. “Me lembro da reunião com Bush pai, quando ele, sentado, já mostrava os incômodos da doença, massageando a barriga constantemente.”

Saudades daquele tempo? O próprio Ricupero não hesita: “Olha, os homens públicos que tínhamos então eram um time de primeira. Tancredo, San Tiago Dantas, Ulysses, Walter Moreira Salles, Franco Montoro…”

Comparar com os de hoje? “Ah, é covardia. Aquilo era uma seleção. O que hoje temos equivale, no máximo, a um Olaria.”

E Serra, que acabou chegando no final, viu no livro foto da equipe de Tancredo em que, segundo Ricupero, ele aparece “bem mais gordinho”. Coçou o queixo e ponderou: “Eu dormia muito pouco naquele tempo…”

Por Gabriel Manzano Filho