Uma Bienal em busca da ‘utilidade pública’

Uma Bienal em busca da ‘utilidade pública’

Sonia Racy

16 de setembro de 2017 | 00h10

MARCOS ROSA

MARCOS ROSA. FOTO: IARA MORSELLI/ ESTADÃO

Para uma caminhada, não é pouca coisa: 120 quilômetros. Começa neste sábado, no Sesc Campo Limpo, divide-se em etapas diárias e termina sábado que vem, 23, no Sesc do Parque Dom Pedro II. É assim que os arquitetos de SP “realizam” a sua 11.ª Bienal de Arquitetura – ou pelo menos a parte mais original dela, já que o programa também inclui debates, exposições, ações de arte urbana, ensaios fotográficos e outras 400 contribuições que chegaram ao site do Instituto dos Arquitetos do Brasil.

Mas, andar para quê? Para “adotar um novo conceito e discutir a utilidade pública da arquitetura”, diz Marcos Rosa, um dos seus curadores. De que forma? Levando em conta a importância das construções na vida das pessoas, a categoria quer “saber dos moradores, a partir da periferia para o centro, o que eles têm a dizer desse convívio”. A intenção “é ir ao território, para que lá nos contem sobre isso. É uma caminhada de escuta”.

Não é uma aventura experimental, garante Rosa – que divide a curadoria com o urbanista alemão Martin Kohler. Ele se diz “fascinado” pela tarefa de aprender fora dos estritos domínios da arquitetura essa relação entre os homens e as construções em torno das quais eles vivem. “Fomos avaliar esse papel da arquitetura no Rio, em Berlim, no México, em Nova Delhi, na Cidade do Cabo, entre outras cidades”, contra o curador.

Essa ideia de utilidade pública é tida como indispensável para que a arquitetura “se reconcilie” com o meio à sua volta. “É saber como a arquitetura se oferece como instrumento de transformação”, resume Rosa. Ele menciona, a propósito, uma realidade urbana típica do Brasil: “Por aqui, 90% das cidades são autoconstruídas – ou seja, feitas sem participação de técnicos”. O que resulta disso? “Que em nosso País nunca vamos conseguir planejar uma cidade mais agradável se não aprendermos na base.” E a base, em bom arquiteturês, inclui essa escuta e “aproximar o arquiteto de outros saberes da cidade”.

Em tempo: a caminhada está “aberta ao público”, adere quem se encantar com a ideia. “A Bienal quer definir o território da cidade como o seu playground”, diz brincando o alemão Kohler. Ele fala em “desconstruir a dicotomia centro-periferia”. Não por acaso, o tema da Bienal é “Em Projeto”, o que sugere algo em movimento. / GABRIEL MANZANO

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