Um brazuca na mesa

Um brazuca na mesa

Sonia Racy

04 de novembro de 2014 | 01h10

Foto: Iara Morselli/Estadão

Até os 21 anos, Bruno Politano nunca havia ouvido falar em full house ou straight flush. Mas bastou uma mesa de Texas Hold’em para mudar sua vida. Hoje, aos 32, Bruno ‘Foster’ (apelido que ganhou na época em que jogava o game Quake, no fim dos anos 90) acaba de se tornar o primeiro brasileiro a conquistar vaga no November Nine, a final do maior torneio de pôquer mundial, que começa dia 10, em Las Vegas. O evento reúne os nove (daí o nome) melhores jogadores do mundo no ano. Pouco antes de embarcar, o santista de coração cearense falou à coluna no H2, clube de pôquer no bairro de Pinheiros.

Foi paixão à primeira cartada?
Foi. Nunca havia jogado, por falta de oportunidade. Assim que recebi as cartas, na primeira rodada, percebi que aquilo era pra mim.

Mas você vive do pôquer?
Tenho uma empresa de confecção em couro, com sede em Fortaleza e subsede aqui em São Paulo, que é tocada pelo meu sócio. Mas poderia estar vivendo só do pôquer.

Muita gente acha que jogar pôquer é fácil. Basta ter sorte…
Olha, é preciso ter sorte para tudo na vida, né? Até para cruzar a rua. (risos) Mas pôquer é muito mais do que sorte, é estratégia também, concentração, por isso é reconhecido como esporte da mente pelo Ministério do Esporte. Conhecer cada um dos participantes, suas fraquezas e pontos fortes na mesa também é essencial. Além de preparo físico, para aguentar a duração das partidas.

Quanto tempo pode demorar?
Até 12 horas. É violento, rapaz… eu, por exemplo, faço uma hora de exercício na academia todo dia, acompanhado por um personal trainer. E tenho nutricionista também, que é a minha mulher.

Você tem uma legião de seguidores ilustres, que te acompanham nas redes sociais e na TV, na cobertura dos torneios. Como isso se deu?
Sou muito amigo do Paulo Henrique Ganso, que, aliás, é fanático por pôquer. Graças a essa amizade me tornei conhecido de muita gente boa no futebol, incluindo o Neymar. É uma honra para mim. Imagina ter esses caras te acompanhando… eu é que sou fã deles!

Quanto estará em jogo nas mesas do November Nine?
O prêmio para o campeão é de US$ 10 milhões. E tem também o bracelete, que vale US$ 500 mil. É um torneio televisionado para o mundo inteiro, uma vitrine incrível para os jogadores, mas também para o jogo em si, que está se difundindo rapidamente por aqui.

Vai ter torcida?
Vou tentar botar uns duzentos brasileiros pra dentro. (risos)

Como é ser o primeiro brasileiro a chegar ao November Nine?
A ficha demorou um pouco para cair. Mas o pôquer tem crescido tanto no País que eu não tenho dúvida de que, dentro de pouco tempo, haverá sempre um brasileiro nessa mesa. /DANIEL JAPIASSU

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