TSE ‘poderia ter feito mais’, diz pesquisador de internet e eleições

TSE ‘poderia ter feito mais’, diz pesquisador de internet e eleições

Sonia Racy

20 Outubro 2018 | 00h58

MARCO AURÉLIO RUEDIGER. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

MARCO AURÉLIO RUEDIGER. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Embora o TSE tenha convocado reuniões para tratar de fake news, algumas das sugestões para tanto não foram implementadas, segundo Marco Aurélio Ruediger, diretor do Dapp-FGV e membro do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do tribunal. Estudioso do modo como política e tecnologia digital se relacionam, ele alertava há tempos que, nestas eleições, haveria “um tsunami de informações falsas”. O TSE falhou? “Não totalmente”. Mas defende “um aprimoramento para as eleições de 2020”.

O que foi sugerido?
Aperfeiçoamento técnico para identificar robôs (programas que mandam mensagens no WhatsApp e publicam posts) e parcerias com centros que fazem monitoramento de alto nível nas redes. Também sugerimos que o TSE “seguisse o dinheiro” – ou seja, acompanhasse com atenção as subcontratações das campanhas.

Além disso, o que mais?
Defendemos que os candidatos, que recebem dinheiro público para a campanha, tinham que abrir os sistemas digitais usados por eles, para permitir que a sociedade checasse dados.

O que o TSE fez?
Alguma coisa foi feita. O tribunal promoveu vários encontros para discutir o tema, o que é muito positivo. Não acho que o TSE falhou totalmente. Mas penso que ele poderia ter feito muito mais.

A seu ver, o que o TSE faz bem?
O TSE lida bem com eleições tradicionais, em que o impacto da TV é muito grande. Há tempo de processar uma queixa de um candidato e compensar no programa do dia seguinte. Nas redes, as informações chegam em avalanche, disseminadas em tempo real, nas 24 horas do dia.

Qual o aprendizado disso tudo?
É preciso fazer, para 2020, um aprimoramento institucional e articular a sociedade na vigilância. E discutir a regulação, os limites do que é livre expressão e do que deve ser suprimido. /PAULA REVERBEL

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