Troigros vê SP ‘forte’ na gastronomia, ‘comparável a NY’

Sonia Racy

17 de dezembro de 2019 | 00h18


CLAUDE TROISGROS. FOTO:VICTOR POLLACK

 

Desde os anos 1980 no Brasil, Claude Troisgros acompanhou de perto – e participou ativamente – de dois momentos da gastronomia no Brasil: o surgimento de uma cultura gastronômica no País e o boom dos programas televisivos com chefs de cozinha. Na televisão desde 2004, ele estreou em outubro um novo reality show com competição entre cozinheiros, o Mestre do Sabor (TV Globo). Leia abaixo sua entrevista à repórter Marcela Paes.

Por que programas de competição entre cozinheiros amadores ou entre chefs profissionais fazem tanto sucesso no Brasil?
Tivemos um boom da gastronomia, há 15 anos atrás. Nos anos 1980, quando eu cheguei ao Brasil, a cultura gastronômica daqui era basicamente a comida tradicional brasileira, que é incrível, mas não tinha uma gastronomia evolutiva, moderna. Ao longo dos anos a gente educou bastante os mais novos na profissão. Receber pessoas com pratos diferentes e fazer uma cozinha aberta chegou a ser um modismo, mas hoje não é mais. Esse interesse é reflexo de uma evolução culinária que ocorreu no Brasil como um todo.

Estar na televisão atrapalha seu trabalho no restaurante?
Não, ao contrário, valoriza o restaurante. Estamos mostrando a nossa profissão, o público está sendo receptivo. Valoriza a profissão de cozinheiro. E, veja bem, a maioria dos programas que estão aparecendo hoje em dia em televisão são programas com cozinheiros profissionais. Não é um artista, não é um apresentador. Nós de fato cozinhamos e isso é o principal.

Muitas jovens hoje em dia sonham em ser chefs. Acha que isso vai passar?
Se eu for usar a minha história como referência, responderia que não. Na França basicamente está durando mais de 60 anos (risos). Na minha família meu pai, meu avô e meu tio eram cozinheiros. Hoje em dia, aqui no Brasil, a gastronomia também é sólida e acho que vai durar. O Brasil é um país enorme, com muita diversidade gastronômica entre os Estados, produtos variados, tem tudo pra ir bem.

Você vai abrir um restaurante em SP. O que lhe despertou essa vontade?
Sim, o Chez Claude, acho que depois do carnaval. É um restaurante desconstruído. Primeiro que a cozinha é 100% aberta, o cliente vai estar sentado a um metro e meio do fogão, ele pode se levantar e praticamente entrar na cozinha. É um ambiente familiar, comida de panela, com sabor. O próprio cozinheiro é quem vai colocar as panelas na mesa.

São Paulo tem mais espaço pra gastronomia que o Rio?
Uma cultura diferente do Rio. Obviamente, hoje e São Paulo é a capital do Brasil praticamente, é onde tudo acontece, dinamicamente falando. Na minha profissão é uma cidade muito forte, comparada muito a Nova York. Vivo há 40 anos no Rio, tenho seis restaurantes lá e todos funcionando muito bem, mas eu acho que é hora de dar uma passo adiante. Tive muita demanda para abrir algo em São Paulo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: