Troca de advogados reduziu valor da multa da J&F

Troca de advogados reduziu valor da multa da J&F

Sonia Racy

06 de setembro de 2017 | 01h00

MARCELLO MILLER

MARCELLO MILLER. FOTO: ALEX LANZA/MP-MG

É de no mínimo 11% o desconto dado pelo MPF na multa aplicada à J&F, no acordo entre Rodrigo Janot e Joesley Batista. Na última de suas cinco propostas ao MPF — via Trench Rossi Watanabe — a J&F havia oferecido R$ 8 bilhões a serem pagos em dez anos e corrigidos pela taxa Selic. O Ministéro Público bateu o pé e disse que queria R$ 10,994 bilhões, mantendo o prazo de dez anos e a correção pela Selic.

Pois bem. Fecharam o acordo sob nova direção advocatícia — a do Bottini e Tamasauskas Advogados — no valor dos R$ 10,994 bilhões. Isso, menos de 24 horas depois da saída da Trench Rossi Watanabe.

Mudança torna a multa
11% mais barata

Esse valor está perto do que o MPF queria? Não. Como o prazo mudou — foi de 10 para 25 anos e houve uma alteração na forma de correção, que passou para o IPCA –, a multa simplesmente… diminuiu.

Quanto? Segundo dois técnicos financeiros consultados, ao menos 11%, mantidas as premissas econômicas atuais. Mas podendo ir além disso e chegar aos 20%.

Estranho? Mais uma coisa para Janot explicar.

Joesley afastou-se de Miller
prevendo futuros problemas

Com a troca de advogados no acordo de leniência assinado em maio com o MPF, a J&F afastou o perigo hoje representado por Marcello Miller, que havia deixado a Procuradoria para assessorá-lo.

O que sugere uma percepção de Joesley Batista sobre a fragilidade de sua relação com o ex-procurador – hoje acusado de lhe passar informações quando ainda era funcionário do MPF.  O empresário, ao que tudo indica, entendeu que essa aproximação poderia dar confusão… legal.

 

 

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