Todos pela Saúde fornecerá 25 mil testes para covid-19 por dia

Todos pela Saúde fornecerá 25 mil testes para covid-19 por dia

Sonia Racy

14 de julho de 2020 | 00h45

PAULO CHAPCHAP – FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Vem ajuda por aí. O Todos pela Saúde vai fornecer testes RT-PCR a partir do dia 30. Como? Por meio de dois novos centros de sorologia para a detecção do novo coronavírus. Localizados no Rio e no Ceará, as novas unidades entrarão em operação para processar testes que serão aplicados em todo o Brasil. Juntas, as fabricantes têm capacidade de produzir até… 25 mil exames por dia.

Para tanto, a ONG trouxe da China duas centrais – uma instalada no Rio e operada pela Fiocruz (15 mil testes/dia) e outra em Fortaleza (10 mil testes/dia).

As informações são de Paulo Chapchap, diretor-geral do projeto criado pelo Itaú Unibanco – cujo aporte de recursos para apoiar o combate ao novo coronavírus foi de R$ 1,2 bilhão. Fornecer esses 25 mil testes a mais não é muito pouco para testar a população em massa? “Não, não, não. Testagem em massa não é uma testagem burra, é testagem inteligente e testagem racional. É testar quem tem sintomas gripais e quem teve contato com eles”, explica o médico. Essa triagem é essencial. Na Espanha, por exemplo, 40% das pessoas que morreram eram idosos e estavam em asilos. “Aconteceu isso em Nova York também”, conta Chapchap.

Alegando escassez global de insumos, o Ministério da Saúde, conforme publicou ontem o Estadão, está entregando kits incompletos aos estados para testagem de contenção do coronavírus, limitando a capacidade de exames em massa do governo federal cuja meta é de 70 mil exames por dia. Estima-se que somente 20% dos testes programados estão sendo feitos.

O Todos pela Saúde está também com programa de testes em caminhoneiros. “Percebemos que há contágio maior nos grandes eixos rodoviários”, justifica o superintendente do Hospital Sírio-Libanês, lembrando que essa classe possivelmente leva e traz o vírus em suas viagens com facilidade.

Essa concentração de esforços na quarta fase do programa, a dos testes, tem uma razão de ser. “A gente tem que aprender com essa crise, como a Coreia do Sul aprendeu com SARs. O impacto do coronavírus no País foi bem menor que no resto do mundo”, diz o médico.

O movimento já direcionou 82% dos seus recursos para ações que cobrem as quatro frentes de atuação – informar, proteger, cuidar e retomar. Com três meses do programa, o balanço é a doação de 16 milhões de máscaras de pano, aquisição de 90 milhões de equipamentos para hospitais públicos e campanha para defender o uso de máscaras. “Até o Cristo no Rio está usando”, frisa o médico que ao ser perguntado sobre qual conselho daria hoje à população brasileira caso tivesse que escolher um só, não teve dúvidas: “Use máscara”.

No novo momento do Todos, a colaboração é para o desenvolvimento de estratégias, visando retorno mais seguro às atividades sociais; e programas de monitoramento da população com risco elevado. Também se volta para projetos que visam melhorar a realidade do sistema de saúde no País. “Estamos coordenando desde projetos envolvendo o uso de inteligência artificial, para a realização de diagnósticos, até a implementação de novos centros para testes e o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19”.

Além de Chapchap, integram o grupo do Todos pela Saúde Drauzio Varella, Gonzalo Vecina Neto, Maurício Ceschin, Eugênio Vilaça Mendes, Sidney Klajner e Pedro Barbosa.

E no Sírio-Libanês, como está a situação do coronavírus? Segundo Chapchap, mais tranquila. Dos funcionários, quantos se infectaram? “Muito poucos. Durante quatro meses, testamos todo mundo. Nossos funcionários sabem se proteger. Quando retornam as suas comunidades, tomam todos cuidados prescritos”. Entretanto, não é esse o quadro nos milhares de hospitais espalhados pelo Brasil. O que, segundo o médico, impulsionou a promoção de baixas em múltiplas equipes. Um dos gargalos nesse processo do combate à covid-19, e que se presta pouca atenção, é justamente o treinamento de novas equipes.

O movimento prestou auxílio no treinamento. “Usamos algumas equipes do Sírio-Libanês – dentro de um projeto chamado LIN – nas emergências. Já havíamos implantado em mais de 100 hospitais e então multiplicamos essas equipes. Os estados contrataram gente nova, nós fazemos a seleção e treinamento. No começo, íamos aos hospitais e montávamos um gabinete de crise. Depois, enviávamos dados para as secretarias de Saúde que tomavam as devidas providências”.

O Sírio, paulatinamente, está aumentando o seu setor para atendimentos fora da covid-19. “Chegamos a ter 120 pessoas internadas na UTI, hoje elas não chegam a 90”, conta o médico.

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