Teresa, Caetano, samba e sua tristeza

Teresa, Caetano, samba e sua tristeza

Sonia Racy

15 de novembro de 2016 | 01h10

EXCLUSIVO DIRETO DA FONTE Depois de rodar alguns países dividindo o palco com Caetano Veloso, Teresa Cristina e o compositor desembarcam em São Paulo para o show conjunto Teresa Canta Cartola, quinta, no Espaço das Américas. A cantora conversou com a coluna por telefone, do RJ. Como tem sido a parceria desse show com o Caetano? Tem sido muito legal atingir um público maior e interagir com ele. A plateia tem respondido muito, porque o show está muito quente, o que é bem bacana. Você faz o show que canta Cartola. Como você vê o cenário do samba hoje? O samba é uma instituição muito forte. A tradição é ancestral e suporta muita coisa. Eu vejo coisas lindas sendo feitas pela nova geração ou mesmo a Portela abrindo as portas para o samba de terreiro. Existe essa ideia de que o samba não era respeitado no Brasil e nós sempre lutamos por igualdade, na valorização do artista. Por isso fico contente quando vejo o samba ganhando mais espaço. O samba também nasce de uma busca por tolerância? Sim. E espero que cada vez mais, principalmente agora que teremos esse prefeito. O samba não foi só marginalizado durante muito tempo como, até hoje, existem atitudes criminosas com o samba. Vejo nas redes sociais um discurso com muita raiva, ódio e totalmente sem cultura. Como foi o mergulho a escolha do repertório de Cartola? Sempre paquerei a obra do Cartola, um compositor muito importante, com um repertório riquíssimo. As músicas dele sempre tiveram uma assinatura própria e muito moderna. O que eu consegui fazer com esse show foi me aproximar desse repertório. Sou uma portelense cantando um compositor da Mangueira. Isso é a cara do samba. Você ainda se emociona? Sim. Essas músicas são importantes para mim e muito fortes de cantar. Sempre tive uma dose grande de melancolia e, no fundo, o samba está sempre falando de um sofrimento. O samba existe para cantar a tristeza. Em vários lugares a plateia tem manifestado suas opiniões políticas como aconteceu em Paris. Como artista, como vê esse tipo de reação da plateia? O difícil é lidar com esse pacote de maldade, né? É um rolo compressor. Estamos vivendo um realidade no Brasil muito cruel e não só nós artistas/ MARILIA NEUSTEIN