Tensão pré-sal

Redação

01 de setembro de 2008 | 17h45

Ainda bem que, pelas previsões, o início de extração do petróleo do pré-sal está anos-luz à frente. E até lá será preciso desembolsar vários bilhões de dólares.

Não fosse assim, esse bate-boca público estaria impactando mais fortemente o preço das ações da Petrobrás. “Esta discussão é negativa para o mercado secundário de ações e não contribui em nada para ajudar investidores nas suas decisões de compra ou venda”, pondera a xerife dos mercados, Maria Helena Santana, dirigente da CVM.

Mas a CVM não pode fazer nada contra esse tiroteio entre o governo federal e dirigentes da Petrobrás? “Não comentamos situações em andamento, mas a conduta dos administradores da empresa vem sendo monitorada e avaliada à luz da legislação”, limita-se a dizer Santana.

Essa barulheira é mais uma prova de que o governo Lula adora uma briga pública. Mesmo quando envolve uma empresa de capital aberto como a Petrobrás.

Estrago feito, há alguma maneira de pôr um fim na bagunça gerada pela briga no pré-sal? Para o ex-CVM Ary Oswaldo Mattos Filho, uma saída seria fatiar o problema. À Petrobrás caberia responder a uma só pergunta: fez a pesquisa no pré-sal por conta própria ou por encomenda do governo federal? “Se foi por conta própria, a União não deve nada à empresa. Se foi a mando do seu controlador, tem, sim, que ser ressarcida”, diz.

Só isso já daria uma acalmada nos mercados.

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