Temer, Meirelles e Maia: a mesma língua

Sonia Racy

12 de agosto de 2016 | 00h40

O que mais chamou a atenção dos nove empresários e banqueiros que fizeram peregrinação das 11 h da manha até as 18 h, anteontem por Brasília – falaram uma hora com Henrique Meirelles, almoçaram com Rodrigo Maia e bancada de líderes, para depois conversar por uma hora e meia com Temer – foi o discurso… uníssono. “Estão todos trabalhando na mesma agenda”, ressalta um dos quatro presentes com quem a coluna conversou. “Pela primeira vez, vejo Fazenda, Legislativo e Presidência falando a mesma coisa e mostrando coerência de ação”, reforça outro.

Mas o Legislativo não contrariou o Executivo no embate essa semana, retirando itens “inegociáveis”, segundo Henrique Meirelles, da PEC dos gastos? Pelo que entenderam os ouvintes de Meirelles, não. E explicam: de fato, o governo retirou da proposta a limitação de aumento de salários e a sua devida computação na LRF. “Entretanto, o teto dos gastos, por si só, fará este trabalho. Soubemos que foram os governadores que queriam a inclusão da limitação salarial na PEC, para não terem o ônus político. Mas não contavam que o Congresso também rejeitaria ser o vilão”, justifica um dos convidados.

Isto é, em termos técnicos, a Fazenda não perdeu. Manteve o teto dos gastos. Mas politicamente, perderam Temer e Meirelles. A PEC, segundo outra fonte presente, vai mudar o “guichê” de lugar. “Sai da Fazenda para a Comissão do Orçamento, onde se disputarão as verbas.”

O grupo combinou conversas mensais. Com Temer, já é o quarto encontro depois de o presidente em exercício assumir. “Este governo escuta”, comemora um deles. Vale registrar que foi esse grupo que ajudou Moreira Franco, na Fundação Ulysses Guimarães, a montar o programa do PMDB, Ponte para o Futuro.

A agenda da quarta-feira trouxe maior tranquilidade a esses qualificados interlocutores da iniciativa privada. “Ajudou muito a segurança demonstrada por Meirelles, ela me impressionou”, diz um terceiro.

Frases que a coluna ouviu nas conversas de ontem: “Finalmente o governo voltou a escutar a sociedade”, “há senso de urgência e dissemos isto claramente”, “tempo é o bem mais escasso deste governo”, “eles têm que mostrar capacidade de entrega”, “ninguém está pedindo para diminuir imposto mas temos que ter simplificação tributária” “Temer tem que ser menos Temer (ser mais agressivo)para ter sucesso”.

O pedido do encontro – inicialmente, seria apenas com o presidente em exercício – foi iniciativa do Instituto Talento Brasil, coordenado por Antonio Machado? Não. Temer chamou e desmembrou as conversas em três etapas.

Quem é o ITB? Grupo apartidário que busca ajudar governos com suas experiência e pesquisas. São todos donos das suas próprias empresas ou bancos, com exceção de Luiz Trabuco, cujo Bradesco não tem dono.

O time é composto por Carlos Alberto Sicupira, Carlos Jereissati, Edson de Godoy Bueno, Jorge Gerdau, Josué Gomes da Silva, Luis Trabuco, Pedro Moreira Salles, Pedro Passos e Vicente Falconi. Faltou ao encontro Benjamin Steinbruch, que faz parte do grupo. E Jereissati saiu de Miami para participar, voltando em seguida para os EUA.

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