Temer conta como negociou a carta de recuo com Bolsonaro

Sonia Racy

11 de setembro de 2021 | 00h50

 

Michel Temer. Foto: André Dusek/Estadão

Temer estava calmo ontem, durante almoço em São Paulo, com uma turma de amigos, em restaurante árabe. Abordado pela coluna por celular, relatou como se deu a ajuda a Bolsonaro. “Recebi telefonema dele na quarta-feira à noite. Indaguei como é que um presidente da República pode chamar um ministro de canalha. Disse que isso pegava mal para ele”, contou o ex-presidente.

Bolsonaro manifestou vontade de conversar com Alexandre de Moraes. Temer se prontificou a fazer a intermediação. “Contei também que estava conversando com o ministro do STF e estava disposto a redigir um documento”.

Das 20h…

O apaziguador trocou uma “ideia com Alexandre”, montou a nota e enviou a Bolsonaro. “Disse ao presidente que seguiria adiante se ele estivesse de acordo.

O presidente acabou me ligando na quinta, às 6h30, e me chamou para ir para Brasília”. Antes de dizer sim, Temer perguntou se ele concordava com a carta redigida e que se ele “não estivesse de acordo, eu não iria até a capital”.

…até as 15 h

Temer leu o documento pelo celular para Bolsonaro que aceitou assiná-lo. Trato feito, o ex-presidente chegou a Brasília e almoçou com o presidente, deu a carta e Bolsonaro lhe pediu duas horas para responder.

“Acho que ele queria mostrar para alguém”, pondera Temer que aproveitou o tempo para visitar Ibaneis Rocha. “Ele alterou somente metade uma sentença. Pedi para ele divulgar, liguei para o Alexandre”. Os três falaram 15 minutos por meio do viva voz.

O ex-presidente teme que Bolsonaro volte atrás? “Veja, diferente das falas verbais, esse é um documento escrito, acho que isso dificulta qualquer recuo”. Deu Lexotan para os dois? “Não ( risos) , dei só a minha palavra”.

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