‘Tem que popularizar sem banalizar’, diz Tarsilinha do Amaral sobre legado de sua tia-avó

Sonia Racy

03 de outubro de 2021 | 00h50

TARSILINHA DO AMARAL – FOTO:CLAUDIA LOPES

Tarsila do Amaral é pop. Uma das principais artistas plásticas brasileiras, a pintora dá nome a agenda comemorativa do legado da Semana de Arte Moderna de 1922, concebida pela Secretaria de Cultura do Estado – exposições, lives e concertos fazem parte do projeto que vai até o fim do ano. Também é estrela de uma animação para crianças, o filme Tarsilinha – que tem previsão de lançamento para o ano que vem – e terá sua vida retratada em um longa ainda em produção. “Acho que em alguns anos ela também será mais reconhecida fora do Brasil”, diz  Tarsilinha do Amaral. Leia abaixo a entrevista com a sobrinha-neta e administradora do espólio da artista:

Tarsila do Amaral é uma das artistas mais reconhecidas no Brasil, mesmo assim muita gente ainda não a conhece. Falta fomentar o público, trazer mais pessoas para os museus?

É verdade. Ainda temos um longo caminho. Mas também tivemos um aumento muito grande das pessoas frequentando museus. Isso me anima muito. E eu acho que a minha tia-avó tem um papel importante nisso. A exposição dela no MASP levou muita gente pela primeira vez para um museu. Eu ia pra lá praticamente todos os dias, me animava muito ver as crianças, grupos de escolas com os professores. Estamos muito longe de países mais desenvolvidos, mas acho que estamos em uma direção positiva.

E como fazer para que ela tenha mais reconhecimento internacional? 

A exposição no MOMA foi realmente um divisor de águas na trajetória da minha tia. Já melhorou muito. Temos que fazer mais exposições. Também estou fazendo  um filme sobre a vida dela. Acho que em alguns anos ela vai ser  bem mais conhecida fora do Brasil.

Como está indo a produção do filme?

Estamos trabalhando no roteiro. Dá muito trabalho fazer um filme, né? Além disso, a pandemia atrasou tudo. Já estaríamos na fase de captação. Não tenho pressa porque quero que ele venha na hora certa e que seja muito bem feito. O filme está sendo feito com a Bedlam, que é dos produtores do Discurso do Rei, que ganhou quatro Oscars.

A animação infantil Tarsilinha é uma forma de fomentar o público desde cedo também.

Não tenho dúvida. Além do filme também temos uma exposição que se chama Tarsila para Crianças. Já passamos por quatro lugares e atualmente estamos no Farol Santander de Porto Alegre. Eles até já pediram para ampliar a permanência da exposição, porque está sendo um sucesso. Era pra gente já ter lançado Tarsilinha em 2019, mas agora a perspectiva é que seja lançado no comecinho do ano que vem, justamente nas comemorações do centenário da semana de arte moderna.

Como você enxerga a situação geral da cultura no País?

É inegável que esse governo não apoia a cultura. Eu sei que o Brasil tem prioridades importantíssimas, nós somos carentes em muitas áreas, mas a cultura também é muito importante e pode transformar o País. 

Você disse que a Tarsila estava virando um ícone pop. Como impulsionar a popularidade e ao mesmo tempo preservar o espólio dela?

Isso é uma coisa que me tira o sono. Claro que eu acho muito bacana ela ser uma artista popular. Ela tem mesmo essa abrangência e consegue mesmo chegar em todas as camadas da população. Mas eu também tenho que preservá-la. Muitas vezes eu deixo de fazer alguma ação ou licenciamento, em prol do nome dela, de manter esse nome alto na arte acadêmica no Brasil. Tem que popularizar sem banalizar. É esse o meio-termo.

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