Taxas de juros futuros continuam subindo durante jogo de estreia da Copa

Sonia Racy

15 Junho 2018 | 01h00

Nem durante o jogo de estreia da Copa, ontem, as taxas de juros futuros, na BM&FBovespa, pararam de subir. Tudo o mais parado para assistir a Rússia massacrar por 5 a 0 a Arábia Saudita, os chamados DIs insistiram em continuar subindo, sem razão calcada na realidade. Efeito manada.

As apostas na alta dos juros e a desvalorização do real são hoje objeto de grande preocupação do BC. A ação do banco por meio dos swaps cambiais tem trazido conforto aos investidores, mas cada vez menos. Ontem foram US$ 5 bilhões – quase US$ 40 bi nas últimas três semanas. E ainda assim o dólar subiu.

Em relação aos juros futuros, a boiada disparou. Se o mercado tiver outro ataque de insegurança ante a incerteza sobre o futuro presidente do Brasil, o BC vai ter que pisar bem mais fundo.

Tem US$ 380 bilhões em reservas externas para tanto.

Indagado ontem, conhecido banqueiro sentenciou: essa volatilidade vai até agosto, quando o quadro político estará mais definido. “Mas não me preocupo, o BC tem bala.” Ele lembra, a quem compara a atual situação à de 2002, antes da eleição de Lula, que o Brasil é hoje superavitário na conta corrente externa. Diferente do quadro de então.

Outro reconhecido banqueiro é menos otimista. Não vê alternativas milagrosas na política e vê a economia paralisada. Percebe também que o candidato mais equilibrado, Alckmin, está abandonado pelo seu próprio partido.

A reação do real frente à anunciada alta de juros da quarta-feira pelo FED foi fortíssima. É certo que a decisão do BC americano impactou o mundo todo – mas é preciso registrar a comparação: o real desvalorizou muito. Só perdeu para a desvalorização das moedas russa e turca.

Em toda Copa o Morgan Stanley faz prognósticos sobre a disputa. Desta vez, acredita que o Brasil pode levar a melhor… mas o banco começou chutando pra lateral. Escreveu que a Arábia Saudita iria surpreender e estaria bem à frente da Rússia.

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