SP vai vacinar 8 milhões em 20 dias, diz secretário

SP vai vacinar 8 milhões em 20 dias, diz secretário

Sonia Racy

17 Janeiro 2018 | 00h40

DAVID UIP

DAVID UIP. FOTO: CHRISTINA RUFATTO/ESTADÃO

Quem foi vacinado contra a febre amarela com a dose padrão está protegido para o resto da vida. No entanto, segundo contou ontem David Uip, secretário de Saúde de Alckmin, há alguns percalços na viabilização dessa decisão do Ministério da Saúde, adotada por recomendação da OMC. “A troca de certificado, para um definitivo, vai se dar em outro momento. A prioridade agora é a vacinação”, explica. Os certificados dados até abril passado tinham validade de dez anos.

E a dose fracionada, que começa a ser aplicada agora, tem quanto tempo de duração? “Experiência feita com militares no Brasil indica que esse tempo é de oito anos. Mas pode ser mais que isso”, explicou o secretário-infectologista, que ontem informou ao blog da coluna a antecipação da vacinação em São Paulo – ela começa no próximo dia 29.

A intenção do governo paulista é, em 20 dias, imunizar perto de 8 milhões de pessoas. Para se ter uma ideia, em 2017 foram vacinadas 7 milhões. E de 2007 a 2016… também 7 milhões. Isto é, em um ano SP vacinou o mesmo que em 9 anos. E agora pretende vacinar mais que isso em 20 dias.

Mas qual o motivo deste surto epidêmico agora? “Há dois anos detectamos o que poderia vir a ser um problema de febre amarela e a vigilância sanitária começou logo a trabalhar nas matas – e nós, a vacinar especialmente as regiões de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto”, conta Uip, elogiando os vigilantes que “arriscam suas vidas o tempo inteiro”.

São Paulo estudou os casos de Angola e do Camboja, que tiveram sérios surtos de febre amarela. Para agilizar o atendimento, descobriram que podem fracionar a vacina em várias doses, como está fazendo agora o Brasil – o que permite quadruplicar a quantidade de pessoas atendidas.

Importante também, segundo o secretário, é a rapidez do diagnóstico. “Na dúvida, melhor internar logo a pessoa. Sabe-se que há infectados sem sintomas, gente com sintomas leves e os casos graves, que têm que ser diagnosticados e exigem internação imediata.”

Qual o remédio contra a febre? “Não existe. O procedimento é o da sustentação à vida”, explica. Uip conta, a propósito, que São Paulo fez há uma semana o primeiro transplante de fígado do mundo em uma pessoa com febre amarela. “A doença ataca seriamente o fígado e outros órgãos”. Mas, assegura Uip, não há razão para pânico. “Quem mora na Avenida Paulista e trabalha no centro não corre perigo”, adverte. “Só quem mora perto de matas tem que ter mais cuidado.” Ou seja, não é preciso esperar em longas filas ou se desesperar. Em São Paulo foram registrados 23 casos até agora.