Sonháticos?

Sonia Racy

05 de abril de 2013 | 01h09

Marina Silva defendia o fim da reeleição e mandato de cinco anos para presidente da República quando aplausos interromperam sua fala – ontem, no Bar des Arts, em SP, onde empresários se reuniram para apoiar o novo partido da ex-senadora, a Rede Sustentabilidade.

“A reeleição é um atraso para o Brasil. Nossa visão é além do curto prazo, além do poder pelo poder”, continuou ela para ouvidos e olhos atentos de Roberto Klabin, Fernão Bracher, André Lara Resende, Antonio Matias e Guilherme Leal. Eram cerca de 70 nomes de peso interessados em ouvir Marina – que, há pouco mais de dois anos, comemorava 20 milhões de votos para presidente. “Mesmo com uma porta-bandeira desengonçada, fomos para a avenida em 2010 e não fizemos feio”, brincou.

Cada um desembolsou R$ 700 para participar do café da manhã capitaneado por Neca Setubal. O valor foi estipulado para que fizessem parte do evento só aqueles realmente dispostos a apoiar o movimento – que precisa da assinatura de 500 mil pessoas para se tornar um partido. “Rejeitamos a cultura das siglas focadas em uma ou duas pessoas. Somos um movimento oceânico.”

Foram arrecadados quase R$ 50 mil e, até o final da fala da ex-senadora, 100% das fichas de apoio estavam rubricadas. Mas nem todos saíram engajados. “Minha postura é apartidária. Prefiro não misturar papéis”, disse Antonio Matias, da Fundação Itaú Social. “Abre uma expectativa enorme, mas também fecha algumas portas. A gente fica querendo conhecer melhor”, afirmou Bracher. No grupo dos entusiasmados estavam Sérgio Mindlin, do Instituto Ethos (de broche da Rede no paletó) e Roberto Klabin. “Vimos a possibilidade de sair da estagnação.”

Marina resume: “Somos como uma escola de samba. As alas ensaiam seus ritmos e, depois, nos reunimos todos no ensaio geral”. /THAIS ARBEX

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