Sobrinha de Tarsila do Amaral planeja novas exposições da pintora em 2021

Sobrinha de Tarsila do Amaral planeja novas exposições da pintora em 2021

Cecília Ramos

05 de setembro de 2020 | 21h54

TARSILINHA DO AMARAL – FOTO:CLAUDIA LOPES

Mesmo isolada em Mombuca, Piracicaba, desde o começo da pandemia, Tarsilinha do Amaral não parou. Pelo celular e computador, atende às inúmeras demandas em torno de sua tia-avó, Tarsila do Amaral. Uma delas é a ação social MakeUp Your Heart 2020, leilão virtual que Mauro Zuckerman comandará dia 13. São 60 obras em formato de coração – parte delas inspiradas na vida e obra da pintora modernista.

“Poder ajudar pessoas em situação de rua, puxa vida! Se minha tia estivesse viva ela apoiaria, com certeza”, diz Tarsilinha, que comanda o espólio da artista e tinha apenas oito anos quando a tia famosa faleceu. Herdou anel usado pela pintora até seus últimos dias. Antes de partir, pediu à enfermeira que o entregasse à sobrinha. “Não adianta seguro. É incalculável o valor pra mim, é meu tesouro, uso raríssimas vezes”.

Para criar as peças do leilão, Tarsilinha indicou cinco artistas – todas dedicadas à Street Art – Crica Monteiro, Katia Lombardo, Lau Guimarães, Mag Magrela e Simone Siss. O quinteto já havia pintado empenas no centro de SP em homenagem à pintora, um mês antes de iniciar a quarentena.
“Temos o projeto de popularizar (a obra de Tarsila), mas, claro, sempre mantendo o lugar que ela tem no meio acadêmico e na história da arte. É um desafio pra mim porque é muito fácil ela entrar no popular e acabar se vulgarizando”.

De Tarsila, há desde pingentes por R$ 210 à venda no site oficial, linha de tecido criada por Romero Britto em 2014, como também é histórica a venda da tela da pintora, A lua, que teria custado US$ 20 milhões ao MoMA de NY.

“Imagine, US$ 20 milhões! Essa exposição no MoMA (2018) pôs a obra da minha tia em outro patamar. Aliás, onde ela sempre deveria estar. O filme será outro passo”, avalia Tarsilinha, referindo-se ao longa com a produtora inglesa Bedlam, a mesma de O Discurso do Rei, que levou quatro Oscar em 2011.

A opção pela produtora estrangeira foi para internacionalizar ainda mais Tarsila, torná-la tão “pop” quanto a mexicana Frida Kahlo. Que atriz interpretará sua tia? “Ah… isso vamos escolher em 2021, são tantas maravilhosas”, despista Tarsilinha, que já chegou a falar, no passado, em Glória Pires.
“A atriz tem que falar inglês”. A sobrinha-neta tem mantido contatos com museus na Europa – e sonha levar os quadros da tia ao Tate Modern e ao Pompidou. “Estamos na fila. Mas a pandemia atrapalhou”. Os preparativos para os 100 anos da Semana de Arte Moderna, em 2022, também já começaram. “São muitos pedidos, estou atabalhoada”, diverte-se.

Antes, planeja, já em 2021, exposição em SP da autora de Abaporu nos moldes de Leonardo da Vinci, no MIS Experience. E, diante do sucesso de Tarsila para Crianças, no Farol Santander, nova mostra para os pequenos também é cogitada.

Otimista com o pós-pandemia, ela acredita que “muitas coisas boas virão” e diz que a crise reforçou que a era digital “veio pra ficar” na artes plásticas. “Mas nada vai tirar o prazer de ver obras presencialmente”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: