Sob pressão de redes bolsonaristas, empresa chinesa de pesca desiste de projeto no RS

Sonia Racy

29 de janeiro de 2021 | 00h55

A chinesa Ample sumiu depois de informar ao governo do Rio Grande do Sul sua intenção de montar projeto de pesca integrada. A decisão teria sido tomada após redes sociais, ligadas a Bolsonaro – o presidente chegou a reproduzir parte de textos – começaram a bater forte na ideia. 

Quem conta é a secretária gaúcha Ana Amélia. “O presidente espantou os executivos que queriam investir no polo naval na cidade de Rio Grande, que após o Petrolão, ficou sucateado e tem muito desemprego”, afirmou à coluna. No seu ver, “achar que chineses podem dominar o nosso litoral é dar atestado de incapacidade a órgãos de controle e regulação.” Eduardo Leite decretou proibição da pesca de arrastão, mas o STF suspendeu a decisão.  

 São conhecidos, os estragos que as empresas da China fizeram na África do Sul, destruindo a pesca por lá. Recentemente, tentaram entrar no Uruguai e foram barrados. Como o RG iria conseguiria impedir essa devastação, é uma incógnita. Ambientalistas estão revoltados com a possibilidade de aportarem no Brasil. 

Bolsonaro – pelos motivos errados – acabou impedindo mal maior. O governo federal, por exemplo, liberou a pesca de sardinha em Abrolhos, sem explicar como vai fiscalizar.  O fato da Ample ser chinesa incomodou mais o governo do que a possibilidade de eles tomarem conta de toda a pesca no litoral brasileiro

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