‘Ser influencer é um trabalho quase sem fim”, diz Rafa Kalimann, que acumula milhões de seguidores

‘Ser influencer é um trabalho quase sem fim”, diz Rafa Kalimann, que acumula milhões de seguidores

Sonia Racy

03 de janeiro de 2022 | 00h30

Rafa Kalimann. Foto: Carol Biazotto

Rafa Kalimann diz que se encontrou. Recém-chegada de uma temporada de estudos em Nova York, a influencer aproveitou o período para se reorganizar e ficar um pouco sozinha – o que, segundo ela, parece ter dado certo. Mas, mesmo no período introspectivo, continuou produzindo conteúdo para seus milhões de seguidores que, só no Instagram, somam 22,5 milhões.

Finalista do BBB 20, onde ganhou ainda mais notoriedade, a mineira de família simples atribui o sucesso do programa ao fato de que o reality show – que estreia nova temporada em 17 de janeiro – funciona como um espelho da nossa sociedade. Leia abaixo a entrevista dada à repórter Marcela Paes por videoconferência.

Você foi uma das finalistas do BBB 20. Na sua opinião, por que o programa faz tanto sucesso?
Acho que ele é um reflexo da nossa sociedade e traduz muito do que somos como pessoas. Claro, de uma maneira resumida. No fundo todo mundo se identifica pelo menos um pouquinho com alguém que está ali ou com uma situação que surge lá.

A Juliette venceu a última edição do programa e ganhou uma base de fãs fervorosos. Ela chegou a dizer que estava um pouco ansiosa com isso tudo. Como foi para você esse processo, esse aumento da exposição?
É, tem isso. Eu sempre falo que na mesma proporção da luz vem a treva. Quando você se expõe muito, vão existir pessoas que gostam de você e na mesma proporção gente que não se identifica e que aponta o dedo. É aí que você começa a ter uma responsabilidade maior justamente pelo aumento do público, que está esperando muito mais de você e que tende a te cobrar cada vez mais. Buga a cabeça mesmo, dá aquele tilt ‘o que é que vai ser de mim agora?’

Você faz terapia?
Toda semana, eu não deixo de fazer. Para mim é fundamental, é essencial.

Logo depois de ter saído do programa você teve a oportunidade de apresentar o Casa Kalimann, que depois foi cancelado. O que aprendeu com a experiência?

Cara, o Casa me trouxe para um lugar de coragem. Surgiu o convite para eu assumir um programa com o meu nome e eu tive pouquíssimo tempo pra me preparar. Eu não esperava, mas não quis deixar de viver isso por medo. Começou aí o grande aprendizado de ter coragem pra viver tudo que a vida tem pra me oferecer, o que vier. Quando o último episódio foi ao ar, eu fiquei aos prantos e a minha equipe também, porque foi um desafio para todos. Começar um programa do nada, lapidar o conceito. Eu aprendi muito.

Hoje em dia é comum que crianças digam que querem ser Youtubers, influencers. O que acha disso?
Eu recomendo! Conseguimos conquistar um espaço sendo de fato quem somos e isso é muito legal. Antes existiam muitos parâmetros de beleza, de moda. Éramos limitados ao que as grandes mídias nos proporcionavam. Hoje, uma menina do interior de Minas Gerais, assim como eu, pode conseguir espaço simplesmente ao mostrar sua rotina, basicamente sendo ela mesma. Isso é genial. Cada um com seu público, seu conteúdo. Mas, claro, é preocupante que crianças e adolescentes comecem a se comparar com os influencers que estão vendo, deixem de ter foco, achem que é um caminho fácil. Não é. É um trabalho enorme, quase sem fim, praticamente 24 horas por dia.

Como foi viver em NY?
Foi minha primeira experiência morando fora do Brasil. Fui estudar, mas também queria ficar um pouco sozinha, me reestruturar. Fiz aula de inglês todo dia e tentei conhecer a cidade ao máximo! Já trabalho há muitos anos num looping, meio incansável. Mas sinto que consegui recuperar a Rafa.

O que mais te impactou culturalmente lá?
Acho que a liberdade. Não só por não ter a exposição que tenho no Brasil, mas por NY ser um lugar mais livre, com menos julgamento. Às vezes eu ficava observando as pessoas na rua, como andam, o estilo de cada uma…E me parecia que eles são felizes sendo o que de fato são.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.