Senhores do destino

admin

01 de agosto de 2009 | 06h15

Choca, em Trancoso, a repetição, altamente concentrada, da disparidade econômica e social que existe pelo Brasil afora. Em escala bem menor que a do Rio de Janeiro, onde favelados moram colados a apartamentos luxuosos, o município baiano atrelado a Porto Seguro (já tentou sua independência, sem sucesso) tem uma só escola, doada por Elba Ramalho, onde dois únicos professores se revezam nas aulas, e um posto de saúde que a muito custo merece esse nome. A ambulância, doada por Sandra Habib – que também assumiu financeiramente a creche – não funciona por falta de dinheiro para a gasolina.

Medo de ficar doente? Bom, se o dono de uma das casas de US$ 1 milhão a US$ 6 milhões – o barão inglês de Rothschild, por exemplo – passar mal, pode usar algum jato estacionado no aeroporto do condomínio Terravista.

Mas este não foi o caso, semana passada, da atendente Marcia Lima Santos, que seria mãe pela primeira vez. Depois de se deslocar várias vezes até o Hospital Luiz Eduardo Magalhaes, em Porto Seguro (o posto de Trancoso não tem condições de fazer um parto), desconfiada de que a gestação da criança já havia ultrapassado os nove meses, foi mandada para casa pela médica responsável. Resultado: a criança ingeriu as próprias fezes e não resistiu.

Segundo se apurou, este é um fato corriqueiro por lá, sem contar outros inúmeros desleixos.

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