Sem tempo para respirar

Sem tempo para respirar

Sonia Racy

12 de novembro de 2014 | 01h10

 

Foto: Jorge Bispo

Luis Lobianco não costuma dizer “não” para nada. Ator e roteirista, ele está no palco, na TV (é redator do Esquenta, de Regina Casé, e integra o Porta dos Fundos, que acaba de estrear no canal pago Fox), no cinema e na internet. Que plataforma mais lhe dá prazer? “No fim, é tudo teatro”, responde o carioca. Lobianco falou à coluna entre um ensaio e outro no clube Playground, na região do Baixo Augusta, onde acontece a temporada paulistana de seu showBuraco da Lacraia.

O espetáculo Buraco da Lacraia é uma homenagem à década de 70, mas você nasceu em 1982. De onde vieram suas referências para fazer o show?

O espetáculo tem referências à década de 70, mas também aos grandes carnavais dos anos 80, com Joãosinho Trinta, e me lembro muito dos carnavais de rua em Vila Isabel, bairro onde passei parte da minha infância. Também aos grandes musicais da Disney dos anos 90 e a força do pop nos anos 2000. As referências estão todas dentro de nós. Quando se realiza um projeto com paixão, toda a sua verdade vem à tona.

Como foi participar do filme sobre o Tim Maia? Conhecia o Carlos Imperial, teu personagem no longa?

Foi um convite do diretor Mauro Lima e me sinto muito honrado. É, para mim, a maior cinebiografia realizada para um ícone brasileiro. Conhecia histórias do Imperial e sabia de sua importância na música. Com o filme, fui atrás de documentos e pessoas que conviveram com ele.

É mais fácil fazer humor na internet, na TV, no palco ou no cinema?

No teatro, o ator é mais forte. Sempre gostei de ser dono dos meus projetos no palco e isso me dá espaço para testar limites e dialogar com o público sem muitos pudores. A internet é, hoje, a via mais arejada para se fazer humor e atingir milhões de pessoas. No cinema e na TV, muitas vezes, o tom deve estar afinado com demandas de anunciantes e distribuidores, mas há um movimento de abertura para um humor mais mordaz nesses veículos.

O politicamente correto te irrita?

Num país de políticas tão escandalosas, me irrita que justamente o humor seja patrulhado. Daí para a censura é um pulo, e o humor se presta a apontar os absurdos do opressor. É nesse humor que eu acredito, o que bate no covarde.

E qual o limite do humor?

É o limite do bom senso e do bom gosto. Só que isso é muito pessoal de cada artista. Tem a ver com educação e valores. Procuro não trabalhar pensando em me limitar, senão acabo tendo a sensação de que não estou me desafiando como artista.

Há novidades para 2015? Você será mais visto em que plataforma?

Filmo um longa no primeiro semestre e tenho planos para séries de TV. Como roteirista, continuo no programa Esquenta e também me dedico a escrever para o Porta dos Fundos. Já o Buraco da Lacraia terá novidades também, mas ainda é segredo!

O Porta dos Fundos acaba de aportar na TV fechada. Há planos de migrar também para a TV aberta?

O canal agora também é uma produtora de cinema. Existe, sim, a possibilidade de fechar parceria com uma TV aberta. Não nos fechamos a nada. O céu é o limite! /DANIEL JAPIASSU

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