Sem arrependimentos

Sonia Racy

05 de setembro de 2011 | 23h01

Paulo Maluf comemorou 80 anos de vitórias e reveses – além de dezenas de processos na Justiça – em grande estilo, sábado, na Sala São Paulo. Alugada por R$ 50 mil. Entre rodadas de champanhe francês e travessas de salmão com coalhada seca e ovas, uma longa fila de políticos dos mais variados partidos se formou para cumprimentar a estrela da noite. Ao lado da mulher, Sylvia, Maluf abraçou um a um ante expressões de “oh, meu querido”, naquela pronúncia que lhe é peculiar. Quando Michel Temer e, depois, Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin chegaram, uma explosão de flashes. Aí se pendurou em um, fez pose, enganchou o braço no outro. Tudo temperado por conversas em baixo volume.

O deputado, de gravata vermelha (“porque dá sorte”), tem assunto com tucanos e petistas. Afinal, integra o governo paulista desde que indicou o presidente da CDHU. Ao mesmo tempo, seu partido, o PP, compõe a base do governo de Dilma. Também foram à festa os secretários de Estado Sidney Beraldo, Julio Semeghini e Andrea Matarazzo (PSDB), o deputado Campos Machado (PTB), assim como os deputados Aldo Rebelo (PC do B) e Damião Feliciano (PDT). Estes dois últimos estão na corrida para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União e aproveitaram para pedir apoio. Questionado, o comunista Rebelo afirmou ter aceitado o convite por “um gesto de delicadeza”.

Antes de o ex-governador se acomodar em seu camarote no mezanino, com Alckmin e dona Lu a tiracolo, a coluna perguntou a Maluf se ele se arrependia de algo na carreira. A frase veio imediata, como sempre: “De nada, só do que não fiz”. Lá do alto era possível ver diversas cadeiras vazias, evidência de que muitos convidados pularam o momento mais elevado da noite, a performance de Arnaldo Cohen com a Orquestra Sinfônica de São Paulo – que interpretaram Chopin, Bizet, Villa-Lobos e Rachmaninov.

PAULA BONELLI

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