‘EUA precisa de alguém que diminua tensões’, diz economista brasileiro da Universidade de Columbia

‘EUA precisa de alguém que diminua tensões’, diz economista brasileiro da Universidade de Columbia

Sonia Racy

05 de novembro de 2020 | 00h50

José Alexandre Scheinkman. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Nos EUA, prevalece há anos, nas eleições, a máxima: “É a economia, estúpido”– frase criada pelo marqueteiro de Bill Clinton, James Carville, que apostou e venceu ao martelar que com o país em recessão, George Bush não era invencível. Hoje, pelo que indica a realidade, vale mesmo uma mínima: “É a política, estúpido”.

Para saber quais rumos a economia americana tomaria, caso Donald Trump fosse reeleito, essa coluna conversou ontem à tarde com o economista José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Columbia e emérito de Princeton, tendo lecionado antes na de Chicago.

O brasileiro, hoje radicado em Nova York, sempre foi contra fazer previsões econômicas. Mas não se furtou em fazer a avaliação política dessa que era uma possibilidade no inicio da noite: um futuro muito ruim se Trump capitaneasse novamente os EUA. “Ele anunciou antes da votação, que iria substituir o presidente do FED, Jerome Powell, cujo mandato vence em fevereiro de 2022”. E deixou a entender que colocaria uma certa diretora do BC americano no lugar, pensando em um Fed mais agressivo. “Pelo que sei, seria essa a única ideia que ele teria na cabeça, ou talvez, a única ideia que puseram na cabeça dele”.

Essa indicada, segundo Scheinkman, é classificada como pessoa goldbag (estaria ainda na época do padrão ouro) “Fazendo um paralelo, esse jargão indica um pensamento pré-Milton Friedman (economista precursor do livre mercado, Prêmio Nobel de 1976), ignorando que ele escreveu a história monetária dos Estados Unidos quando mostrou que o padrão ouro trouxe, lá atrás, uma enorme volatilidade para economia americana”.

Passando para a situação do comércio internacional, o economista brasileiro tampouco vê Trump resolvendo a situação no geral, tanto com a China bem como com a Comunidade Europeia. “A colaboração com os europeus iria continuar complicada”, diz.

Excluído o preocupante problema de uma indicação polêmica para o FED, é fato que internamente, o poder dos presidentes americanos é menor do que em outros países. Portanto, tanto Trump como Biden tem limitações grandes. Até uma das ações emergências de Trump, consequente da pandemia – a de derramar trilhões de dólares pelo mercado interno americano – teve que passar pelo crivo da Câmara. “Ninguém consegue gastar sem passar pela Câmara. A economia, nos EUA, muitas vezes, funciona de forma independente da política econômica”.

E a política interna? “Para política interna, é super importante Joe Biden no cargo, porque você precisa, no fundo, de um presidente liderando os EUA para tentar diminuir as tensões do país, muitas delas alimentadas por Trump, como as tensões raciais”, receita Scheinkman. Que como muitos colegas de profissão, tem duríssimas criticas a política de Trump

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