‘Se surgir algo fora, ok. Mas eu vivo mesmo é no Brasil’

‘Se surgir algo fora, ok. Mas eu vivo mesmo é no Brasil’

Sonia Racy

30 Outubro 2015 | 01h30

Foto: Páprica fotografia

Foto: Páprica fotografia

Mariana Ximenes poderá ser vista em quatro novos filmes entre este e o ano que vem. Dois deles estão na Mostra Internacional de Cinema, que acontece até dia 4, quarta, em São Paulo. Um Homem Só, de Claudia Jouvin – no papel que rendeu a Mariana o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado –, e Zoom, de Pedro Morelli, gravado no Canadá com elenco internacional. Os outros dois são O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, e Quase Memória, de Ruy Guerra. Ela também está gravando SuperMax – um seriado da Globo que se passa em um presídio de segurança máxima. Por fim, será também a vilã da próxima novela das 11 do mesmo canal. Em conversa com a coluna por telefone, sobre a experiência fora do País, ela foi direta: “Se surgir algo fora, tá ótimo, mas vivo no Brasil, tenho projetos aqui.” A seguir, a entrevista.

Você está no elenco de dois filmes na Mostra de Cinema, e um deles você gravou com elenco internacional. Tem vontade de seguir carreira fora do país?
Zoom foi o primeiro filme que rodei em inglês. Sou muito tranquila, se surgir algo fora, tá ótimo, mas estou no Brasil, moro aqui, tenho projetos aqui. Não descarto, mas também não estou fazendo nenhum movimento para acontecer.

Além dos dois filmes, você está no elenco de um seriado e será a vilã da próxima novela das 11 da Globo. Como acha tempo para tanta gravação?
Adoro trabalhar. Trabalho desde os 16 anos. Amo e respeito meu ofício. É em gravação ou no palco que me sinto bem. Também estou gostando de produzir. Mas é claro que também temos os momentos de respiro, né, as pausas para curtir a vida. Ano passado fiz uma viagem à Amazônia. Passei uma semana inteira no barco, deitada na rede.

Você é diretora executiva de Um Homem Só. Pretende ir cada vez mais para trás das câmeras?
Estou gostando muito de observar o processo de construção de um projeto por inteiro. Sou apaixonada pelo processo criativo, seja atuando ou trabalhando por trás das câmeras.

Um Homem Só conta a história de um marido que está infeliz em seu casamento e quer fazer uma cópia de si mesmo para continuar com a esposa, enquanto ele curte seu novo amor. Você também já quis ter uma cópia?
Claro que já quis ter uma cópia minha para as situações chatas, né? Quem nunca quis colocar a cópia numa situação chata? (risos).

Não acha egoísta alguém manter uma cópia em um casamento que não está indo bem?
Mas é uma reflexão, não? O filme é cheio de reflexões. A maioria das pessoas já quis ter uma cópia – mas, na verdade, não existe essa possibilidade, tem que enfrentar a realidade. E é isso que o filme mostra no final.

As pessoas têm se mostrado mais egocêntricas e ansiosas. Isso pode ser reflexo das redes sociais?
Acho que as pessoas têm que viver o presente. Quando estou gravando, me entrego por inteira, raramente olho o celular. Temos que estar inteiros onde estamos, essa é minha percepção das redes sociais, que ajudam muito também. Para nós, atores, é bom, porque podemos mostrar nossa realidade.

Você ganhou o prêmio de melhor atriz no festival de Gramado por sua atuação em Um Homem Só. Josie é uma ruiva que trabalha em um cemitério de cachorros. Acha que a excentricidade da personagem ajudou?
Queria fazer algo diferente. Algo em que as pessoas acreditassem, que exibisse uma outra faceta mesmo. Foi um barato viver o papel da Josie. O maquiador tinha que refazer as sardas dela durante toda a gravação./SOFIA PATSCH