SAPUCAÍ A 42 GRAUS

Sonia Racy

09 de fevereiro de 2016 | 01h30

Na primeira noite dos camarotes na Sapucaí, chamou a atenção – no cercadinho vip do camarote da Boa – uma presença inusitada: João de Deus. O médico-espírita estava acompanhando da mulher e do produtor e diretor Candé Salles, que está fazendo um documentário sobre a sua vida.

“Ele recebeu alta ontem do dr. Roberto Kalil. E quis vir comemorar na avenida para ver seu médico desfilar (pela Beija-Flor). Ele está adorando”, revela Salles à coluna.

Quem se agitou ao ver o médico foi Cláudia Raia. Depois de uma noite cheia no Anhembi, em São Paulo – onde foi homenageada na sexta pela Nenê de Vila Matilde –, a madrinha da Beija-Flor o avistou de longe, atravessou a avenida, beijou-lhe a mão… e voltou a sambar.

Na frisa, vendo o desfile muito animada, a habituée Juliana Paes –- recém-nomeada “defensora para prevenção e eliminação da violência contra a mulher” pela representação das Nações Unidas no Brasil – falava com entusiasmo sobre a campanha contra o assédio.

“Todas as mulheres já passaram por alguma situação de assédio, em maior ou menor grau”, disse a atriz. E em seguida completou: “Como mãe de dois meninos tenho uma grande responsabilidade de criá-los nesse mundo onde o machismo ainda vigora”.

Tatá Werneck embarcou no assunto e também fez questão de mostrar seu apoio: “Muitas mulheres sofrem assédio e se sentem culpadas. Mas a campanha não pode ser só no carnaval não. Tem que ser sempre”.

Deborah Secco – que também postou em seu Instagram apoio à cruzada – foi elogiada pela boa forma, dois meses depois de dar à luz. Conta que passou os últimos dois meses de sua gravidez sem sair de casa, por medo do zika vírus: “Moro no 22.º andar de um prédio. Fiquei lá no ar-condicionado”.

Ela acrescentou, no entanto, que se mantém atenta e cheia de cuidados com a saúde de sua irmã, que está grávida: “Estamos todos preocupados”.

Indagado sobre a Lava Jato, Marcelo Serrado – que participou de manifestações anticorrupção em 2015 – mostrava sua fé nas investigações: “Acho que a operação volta ao normal depois do Carnaval”.

Mas o tom mudou um pouco quando a conversa foi sobre a influência que a proliferação do Aedes egypti e os crescentes casos de dengue e zika possam ter na realização da Olimpíada. “É, essa história deu um baixo astral mesmo. Algumas pessoas vão desistir de vir pra cá acompanhar a competição”. Mas terminou na torcida: “Acredito que no fim vai dar certo”.

Selton Mello, que não se considera um grande folião, preferiu não dar opinião sobre o momento político ou sobre as dificuldades do País: “É Carnaval, né? Próxima pergunta!”.

O ex-jogador Edmundo, de sua parte, preferiu focar no esporte, e em um tom mais confiante: “Sou otimista com relação à Olimpíada. Brasileiro faz as coisas sempre de última hora mesmo. Olha a Copa”.

Mas o ex-atacante da seleção foi além e comentou a corrupção no futebol. “Essa limpa no esporte, me parece, chegou tarde”, ponderou, num tom de lamento. E foi adiante: “Acho que os times no Brasil têm que virar empresas. Nas normas que vigoram atualmente, eles gozam de muitos benefícios.”

E não perdeu a oportunidade de fazer uma brincadeira: “A mãe de um amigo meu, de 84 anos, revelou que pegou zika e disse: ‘Até nisso não dei sorte, tinha mesmo que pegar o Zico!’”

Crise política e investigações da PF não eram, nem de longe, o tema preferido dos que circulavam pelo sambódromo. O criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que curtia a folia no camarote da Quem, foi para lá de evasivo quando perguntado sobre a Operação Lava Jato: “Sabe que adorei conhecer o restaurante Gero da Barra da Tijuca?”.

E Roberto Justus, convidado de cervejaria Itaipava, optou pela ironia: “Este carnaval está tão animado que até parece que o Mauricio Macri ganhou as eleições por aqui”. / MARILIA NEUSTEIN, SOFIA PATSCH e S. R. 

 

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