Sampa no samba

Sampa no samba

Sonia Racy

02 de março de 2014 | 01h02

Foto: Paulo Giandalia/Estadão

Dona Norma não está feliz com o filho na política. “Ele é muito bom para tudo isso que está acontecendo.” Ele é… Fernando Haddad, prefeito da maior cidade do País. O que incomoda dona Norma? “A população não colabora com nada. Um sozinho querendo fazer tudo é difícil”, desabafou à coluna, anteontem, durante a primeira noite de desfile das escolas de samba de SP, no Anhembi.

Embora sejam altos os índices de rejeição ao primeiro ano do governo Haddad, dona Norma não tem dúvida de que “o Fernando sabe o que está fazendo”. O prefeito, segundo ela, “tem uma programação pronta para ser executada. O que ele quer é melhorar a cidade. Está preocupado com a população mais pobre. Quer coisa melhor que isso? Não tem”.

Sofre com as críticas? “Não, ninguém é obrigado a gostar de todo mundo.” E Haddad? “O Fernando não manda dizer. Ele faz. E é tranquilo, não se importa com o que o pessoal fala. Se acha que a meta é essa, vai fazer. Se estiver errado, volta atrás. Acho um sucesso tudo isso. Seria um sucesso maior se ele pudesse realizar as coisas que têm em mente. Desculpe se é a mãe que está falando, mas tudo que digo é sincero.”

A senhora o apoiará se ele decidir disputar a reeleição? “Se conheço bem meu filho, a pretensão dele seria ficar na Prefeitura até conseguir cumprir tudo o que deseja fazer. Mas, para mim, a política nunca soou bem. Já fui muito patriota, hoje estou muito mais decepcionada. A gente não tem aquele ambiente que gostaria.”

Haddad e Ana Estela ainda não haviam chegado ao camarote da Prefeitura quando Alckmin, dona Lu e os filhos Thomaz e Geraldinho desembarcaram de uma van pela entrada VIP. Ao lado da vice-prefeita, Nádia Campeão, dona Norma fez as vezes de anfitriã e acompanhou o casal Alckmin.

Logo na entrada, o governador ganhou preservativos – parte da campanha do Ministério da Saúde para os dias de folia. Arthur Chioro o esperava mais à frente. Prudente, Alckmin sussurrou no ouvido da mulher: “É o novo ministro da Saúde”.

Depois de poses para fotos com os convidados da Prefeitura, o governador e dona Lu se refugiaram na área VIP do camarote. Noite quente, lá ele se rendeu ao chope.

Já era quase meia-noite quando o casal Haddad chegou. O atraso tinha motivo: Ana Estela desfilaria na Acadêmicos do Tucuruvi, quinta escola a entrar na avenida, às 4h da manhã. A primeira-dama foi convidada por causa de seu trabalho com as crianças – o enredo era dedicado à infância.

Questionado pela coluna sobre se o carnaval de SP já está melhor que o do Rio, Haddad respondeu: “São festas que têm pontos de convergência, mas propostas diferentes. Temos um desfile incrível no sambódromo e retomamos a tradição do carnaval de rua”.

E o que mudou do ano passado para este? “Acho que aprendi muito. No carnaval de 2013, mal havíamos tomado posse na Prefeitura. Agora, com várias ações implementadas na cidade, inclusive aquelas que eu havia prometido na campanha eleitoral, me sinto revigorado para enfrentar um novo ano à frente da municipalidade”. Gosta de samba? “Gosto muito de música. E, claro, aquela de raiz africana. Fizemos o tombamento e agora o samba paulistano é patrimônio da cidade.” Escola preferida? “A que apresentar o melhor desfile e desenvolver com mais perfeição seu samba-enredo”, despistou.

Nesse momento, Marta Suplicy chegou. E pediu para segurarem seu copo de chope quando avistou o prefeito e a mulher. Na mão direita, uma tala – fruto de lesão sofrida há dois meses e não corretamente tratada.

Foto: Paulo Giandalia/Estadão

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