‘Salvar albatrozes é ganha-ganha’, diz bióloga que coordena projeto ecológico

‘Salvar albatrozes é ganha-ganha’, diz bióloga que coordena projeto ecológico

Sonia Racy

16 de dezembro de 2020 | 00h45

Tatiana Neves. Foto: Tatiana Neves

Sediado em Santos, no litoral paulista, o Projeto Albatroz, dirigido pela bióloga Tatiana Neves, trabalha para diminuir o número de mortes de aves que rumam para Antártida, param na costa brasileira para se alimentar e acabam capturadas pelos anzóis de pescadores. O projeto foi nomeado pelo governo brasileiro na segunda-feira, 14, para ser o gestor executivo do plano nacional de conservação de albatrozes e petréis em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Promete também um centro de turismo, em Cabo Frio, no Rio, no ano que vem, com apoio da Petrobras. A seguir os principais trechos da conversa com Tatiana.

Qual a importância dessa parceria com o ICMBio?
O plano de ação nacional, construído por parceiros e atores envolvidos, estabelece metas na conservação de albatrozes e petréis. Há ações voltadas à educação ambiental para crianças em escolas e principalmente para pescadores para levar a importância da preservação dessas aves e da vida marinha.

Como é a biologia deles?
São 22 espécies de albatrozes, 17 ameaçadas de extinção. Elas chegam a viver 80 anos e se reproduzem a cada dois anos, colocando apenas um ovo que macho e fêmea se revezam para cuidar, fazem viagens aqui para o Brasil para buscar comida e depois regurgitam para o filhote que se alimenta. O supermercado da mamãe albatroz é um pouco distante. Elas sobrevoam os oceanos usando correntes de vento.

Qual é o problema dos albatrozes com a pesca?
As aves aprenderam rapidamente que o barco de pesca é uma oferta interessante pelo descarte das vísceras do pescado e na isca utilizada na pesca com espinhel. Elas arrancam a isca do anzol e saem contente comendo uma lula que custou uma baita grana para o pescador ou a engolem com anzol sendo arrastadas para o fundo do mar, morrendo afogadas. Perde o pescador e perde o meio ambiente. Salvar os albatrozes é ganha-ganha. Desenvolvemos formas mais sustentáveis e produtivas para pescaria.

Como fazer isso?
Só os pescadores bem instruídos em alto-mar conseguirão solucionar o problema. Para evitar as capturas há medidas de mitigação que são tratadas em grupos internacionais anualmente. Essas medidas ajudaram muito nos últimos anos mas precisamos implementá-las e monitorá-las mais ainda para garantir que o pescador está usando-as. E esse hoje é o gargalo principal que este grupo internacional trabalha para enfrentar. / PAULA BONELLI

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