Salto alto

Sonia Racy

19 de fevereiro de 2012 | 23h00

Mesmo rodeado de amigos (gringos e brasileiros) na piscina do Hotel Fasano, no Rio, Christian Louboutin anda tenso. O designer de sapatos está preocupado com a briga judicial que envolve seu solado vermelho laqueado, uma quase marca registrada, e o conglomerado de luxo PPR.

“É ruim para todo mundo”, diz. Quando fala sobre o assunto, seu rosto bronzeado pelo sol de quem já está no Brasil há duas semanas ganha ares de seriedade.

Expressão que não se esvai nem mesmo quando as pedras de gelo submersas na taça de La Joya – Sauvignon Blanc chegam a sua boca. Ou pela vista da praia de Ipanema e do Pão de Açúcar.

Como está lidando com as questões de suposto plágio das solas vermelhas?

Tenho a patente (mas não o direito de uso exclusivo) desde 2008 e estou no meio de uma briga judicial com o PPR, que tem copiado essa minha patente. É muito triste um grupo de luxo ir por este caminho. Isso não o ajuda, não o fortalece, é perigoso para todos. Se você não respeita a identidade das pessoas, por que alguém respeitaria a sua?

Como vem enfrentando a crise na Europa?

É uma coisa estranha. Crise, para mim, é o que vejo pela TV e no jornal. A experiência, na prática, é outra. Vivendo na França, tenho de admitir: realmente, não experimentei a crise, ela não me afetou.

Por que está no Brasil?

Sou muito mimado. E se estou trabalhando na coleção de verão, vou para um lugar que me invoca calor, com um clima maravilhoso. Se estou desenhando a de inverno, migro para o frio. É muito pessoal. Para mim, luz e clima são muito importantes.

Podemos dizer que a próxima coleção é inspirada no Rio?

No final, sim. Mas não gosto de ser específico, porque, para um designer, isso pode causar cegueira. Se eu for ao Egito, não quer dizer que todo mundo tem de se vestir como egípcia por um ano. É mais fácil pensar em sandálias no Brasil do que na França.

O que o senhor acha da moda brasileira?

O Brasil é um país feminino. Quando conheci Oscar Niemeyer, ele me deu poemas que escreveu sobre como é inspirado por seu próprio país. E eu falei: “Temos coisas em comum”. Meus desenhos são curvilíneos; os dele, apesar de usar muitas retas, são, definitivamente, muito curvos também. São lindos os poemas que escreveu sobre as montanhas do Brasil, os rios e corpos femininos. Isso eu entendo perfeitamente. Se você pensa em Brasil, pensa em mulher. O humor tem sexo. Se vai para a Inglaterra, as mulheres são masculinas. Aqui, o humor é feminino.

O senhor está abrindo a segunda loja em São Paulo. Os brasileiros são bons clientes?

Sim, porque são femininos. Costumo dizer que sou guiado por mulheres brasileiras, assim como mulheres brasileiras são guiadas por mim.

O que pensa de Carla Bruni, primeira-dama francesa?

É ótima. Eu a conheço há muito tempo. Mas muitas mulheres dizem que sapatos são como um vício. Assim como um bom médico não deve falar de seus pacientes, nunca falo sobre minhas clientes. Mas você sabe: Carla é metade brasileira – e isso não é pouca coisa. /DÉBORA BERGAMASCO E PAULA BONELLI

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: