Salim Mattar será ‘funcionário público’

Salim Mattar será ‘funcionário público’

Sonia Racy

24 Novembro 2018 | 01h05

SALIM MATTAR. FOTO: BETO LIMA

SALIM MATTAR. FOTO: BETO LIMA

Salim Mattar, novo secretário de Privatizações do governo Bolsonaro – conforme adiantou a coluna com exclusividade, ontem cedo, no Broadcast – sempre foi o “sonho de consumo” de Paulo Guedes – que desejava integrá-lo à sua equipe econômica desde que começou a montá-la.

A ideia inicial foi a de chamá-lo para ocupar a nova Secretaria de Indústria e Comércio, mas a opção não vingou. O segundo convite, – feito há alguns dias, atingiu seu objetivo.

Mattar aceitou o convite de quem considera amigo. Eles foram apresentados, há 30 anos, por um outro amigo carioca, em almoço no antigo Fasano, em São Paulo, e a empatia foi imediata. E esta se transformou, ao longo dos anos, segundo contou Mattar à coluna, em “admiração e respeito mútuo”.

Essa amizade, segundo o fundador da Localiza, foi uma das razões pelas quais ele se dispôs a se transformar em servidor público. A Secretaria de Privatizações será focada em desinvestimentos e desestatizações. “Pensei muito e tenho consciência de que a minha opção por um cargo público não terá ponto de retorno”, observa. Aconteça o que acontecer. “Passou o momento, serei agora um servidor público exemplar”, brinca o empresário. Seu foco inicial, adverte, é focar em… “padrões éticos de gestão, contribuindo para colocar o País nos trilhos”.

A empresa, fundada por quatro irmãos, é a maior – em valor de mercado – entre todas as locadoras de veículos com capital aberto no mundo. Eugênio Mattar é o único sócio-fundador que está à frente do dia a dia. Salim presidiu o grupo até 2013 e hoje é presidente do conselho de administração – cargo que deve deixar agora. Os outros dois – irmãos entre si –, Flávio e Antônio Cláudio Resende, fazem parte do conselho de administração.

Como vai usar sua experiência no setor público? “Sei que é bem diferente, mas nossa tarefa será privatizar e vender ativos”, explica Mattar, mineiro de Oliveira, dizendo não saber que, na iniciativa privada, sua principal qualidade ressaltada é a de… excelente vendedor.

Problemas de atritos na equipe – entre Guedes, o vice Hamilton Mourão e Gustavo Bebianno –, pelo que se apurou, não existem. Enquanto Salim cuidará das “vendas”, outros programas como PPI, PPPs, novas concessões e investimentos estarão centralizados sob as asas do ministro da Casa Civil e no secretário-geral da Presidência. Entretanto, o time como um todo acompanhará a desobstrução de gargalos buscando promover um fluxo eficiente de decisões. E nesse desenho entra também o BNDES de Joaquim Levy, turbinando os processos. A vantagem desta formação é que tanto Mourão bem como Bebianno estarão colados em Bolsonaro – facilitando a comunicação e aceleração de processos de todos os setores.

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