A melhor saída, para Temer, ‘é esperar pelo impeachment’, diz professor

A melhor saída, para Temer, ‘é esperar pelo impeachment’, diz professor

Sonia Racy

04 Agosto 2016 | 01h05

FOTO: CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO

FOTO: CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

O melhor que o governo Temer tem a fazer, no momento, é empurrar para a frente, até a votação do impeachment, os projetos que exijam muita negociação – pois ele está frágil, num cenário marcado por enorme incerteza política. A conclusão é do professor e filósofo Fernando Schuler, do Insper, após o recuo e as concessões do governo, anteontem, na discussão sobre as dívidas dos Estados. É o desafio da democracia, adverte: as reformas são para beneficiar “grandes grupos difusos” da sociedade, e enfrentam resistência de grupos “pequenos, mas organizados”. A saída? “Um presidente estadista, com força para defender esses interesses difusos.”

O governo Temer acaba de sofrer uma derrota no Congresso, e pode sofrer outras, como no caso de um teto para os gastos. Essa fraqueza não é perigosa? 
O Brasil vive diferentes problemas, de curto, médio e longo prazo. No longo, temos um Estado grande e frágil, cercado de fortes lobbies localizados. E o maior deles está dentro da própria máquina publica. No curto prazo, temos um presidencialismo de coalizão no qual o partido que governa é minoritário e tem de acertar as coisas com meio mundo. Não é à toa que o Brasil virou o país das protelações. Aliás, acho que, no curto prazo, nunca antes neste País tivemos tamanha incerteza política. Quero crer, no entanto, que isso é provisório: o atual governo só é frágil até a votação do impeachment no Senado. Até lá ele tem de ir pisando em ovos. Sua capacidade de negociar, hoje, é baixa.
Fica um pouco parecido com o governo anterior, não? Faz sentido comparar? 
Olha, eu diria que até me surpreende que Temer tenha conseguido baixar a tensão e criar um patamar básico de governabilidade nas atuais circunstâncias. O melhor para o presidente, no momento, é empurrar esses casos para depois da votação do impeachment. É o custo do processo. O fato é que os governadores pressionam para resolver suas dívidas e o governo não os controla. Mas eles também não necessariamente controlam suas assembleias legislativas.
Como fazer para o País superar essas contradições?
O que precisamos, de fato, é de um presidente estadista. É o desafio que nos traz a democracia: projetos nacionais, de que precisamos, beneficiam grupos difusos, não homogêneos. E são combatidos por grupos menores, organizados. Assim, a chance de passar reformas sérias, de longo prazo, é muito baixa. / GABRIEL MANZANO