Saída de Serra cria desconforto na equipe que formou

Sonia Racy

24 de fevereiro de 2017 | 00h48

A saída de Serra do Itamaraty deixou muita gente desconfortável, principalmente quem, convidado, aceitou ou trocou de posto diplomático para trabalhar com o ex-ministro.

Reconhecem que o tucano recolocou a casa nos trilhos, cicatrizando feridas abertas pelo PT, principalmente na gestão Dilma. Entre outras, ele conseguiu recursos para regularizar salários e aluguéis de embaixadas e pagou débitos com a OEA – que o País havia deixado de quitar em anos anteriores, além de abandonar, em 2009, as doações voluntárias à CIDH.

Entretanto, não conseguiu foi ficar na Casa, pelo conjunto de motivos já alardeado.

FHC está fora

Pelo que se apurou, FHC não opinou na sucessão de Serra. Viajou ontem de férias para o exterior e desligou o celular.

Luz, um ‘colaborador’ discreto?

Quem conhece de perto as entranhas da Petrobrás se pergunta, desde o início da Lava Jato, por que Jorge Luz estaria passando incólume pela operação. A resposta mais frequente, não confirmada, era de que o lobista estaria “colaborando”.

Pelo jeito, a ajuda terminou e Luz, com seu filho Bruno, foi alvo ontem de mandado de prisão da Operação Blackout.

Aliás, o apelido de Luz na Petrobrás pré-Lava Jato era… Jorge Lumière.

Leitura na Papuda

Três meses depois de lançar um livro sobre delação premiada, o advogado Bruno Espiñeira Lemos foi contratado por Lúcio Funaro – lobista amigo de Eduardo Cunha, preso desde julho.

Funaro tomou conhecimento do livro na Papuda por uma advogada amiga de Lemos. “Ele pediu um exemplar, mandei, ele gostou e pediu para conversar comigo. Fui constituído anteontem”, contou o advogado à coluna.

‘Medieval’

Funaro finalmente vai fazer delação? “Não tenho elementos ainda para dizer se vale a pena, mas já vi coisas inconsistentes”, disse Lemos. Ele ainda esclarece: “A delação é feita hoje de modo medieval. Manter uma pessoa presa para ser forçada a dizer o que querem é indigno”.