Russa e brasileiro no balé símbolo do Natal

Russa e brasileiro no balé símbolo do Natal

Sonia Racy

24 Dezembro 2016 | 00h30

FOTO: Tomas Kolisch Jr

FOTO: Tomas Kolisch Jr.

Natal vai, Natal vem, e a magia se repete: o balé Quebra-Nozes, um dos mais exibidos no mundo desde o início do século 20, continua lotando teatros. A tradição se repetiu semana passada, no Teatro Alfa, zona sul de São Paulo. Mas como é a experiência para os bailarinos? Cansa dançar tantas vezes a mesma peça?

Para os donos do palco na ocasião – o brasileiro Thiago Soares e a russa Svetlana Lunkina, não. “É sempre uma nova experiência, com parceiros diferentes e sentimentos diferentes. A experiência nunca é igual”, afirmou à coluna Svetlana, que já foi estrela do Balé Bolshoi, de Moscou.

Tanto ela, bailarina principal do Ballet Nacional do Canadá, quanto Thiago, bailarino principal do Royal Ballet de Londres, já perderam a conta de quantas vezes reviveram o pas-de-deux da Fada Açucarada e do Príncipe – mas para o brasileiro a temporada paulistana de 2016 foi especial. “Primeiro, por dançar pela primeira vez com a Svetlana, que sempre admirei.

E, segundo, por contribuir com a trajetória da Dona Hulda, que representa, pra mim, a vitória da dança nesse momento em que estamos vivendo”. Ele fala de Hulda Bittencourt, diretora artística da Cisne Negro, que, antes desta, já havia feito outras 32 montagens do espetáculo. E como foi para a russa Svetlana, formada na escola mais tradicional de balé do mundo, dançar com brasileiros? “Assisti a uma performance com o Thiago antes de ensaiarmos e eu fiquei encantada com a energia e com o sentimento dos brasileiros no palco. Eu amei isso”, elogiou.

Thiago devolve o elogio no mesmo tom: “Assistindo com ela, percebi que nossa arte é muito mais no sentir do que no saber. O que também é um mecanismo de impacto. Tanto que foi a primeira coisa que ela mencionou. Foi excelente trazer a Svetlana para cá e unir o saber dela com nosso sentir”.

O balé é uma adaptação do conto O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos, do alemão E.T. A. Hoffman, do qual cada companhia faz sua versão. Na história, a menina Clara ganha um boneco quebra-nozes na noite de Natal mas seu irmão, Fritz, estraga o brinquedo. O padrinho mágico da menina, Drosselmeyer, conserta o boneco e Clara adormece. Em sonho, o quebra-nozes se torna um príncipe que, após uma batalha contra ratos, a leva para um reino encantado em que doces, flores e uma fada dançam para o casal. A música, uma das obras-primas de Tchaikovsky, estreou em 1892 no Balé Imperial da Rússia, no Teatro Mariinski, em São Petersburgo.
/ JULIANNA GRANJEIA