Roubini e o caos que nos espera

Roubini e o caos que nos espera

Redação

12 de março de 2009 | 06h00

Quem olha para Nouriel Roubini, o economista que emerge desta crise como um dos únicos que conseguiram prevê-la na atual dimensão, tem dúvidas. Como será que o Mr. Doom – apelido que recebeu por suas previsões catastrofistas – entonará notícias positivas quando a situação melhorar? Isto é, o economista tem “phisique du rôle” para uma dia se transformar em Mr. Boom? Difícil.

O convidado especial do fundo BTG para palestrar ontem na Casa Fasano, ante pouco mais de 200 pessoas, exala o dom da catástrofe. Nascido há 50 anos na Turquia, filho de pais judeus-iranianos, ele casa suas previsões antes pessimistas (hoje realistas) com um semblante taciturno e fala rápido em um inglês macarrônico. também renomado economista que o antecedeu, o ex-conselheiro do Fed Frederic Mishkin, tampouco traçou um cenário de esperança. No entanto, sua entonação gerou menor impacto. Bem como Persio Arida, sócio da BTG – que, apesar de bastante pessimista, acredita que o Brasil, ao final da crise, estará melhor que outros.

Mas então, por que apresentar formalmente ao público um fundo de US$ 600 milhões, com capital próprio, dessa maneira? Segundo André Esteves – mentor do fundo que tem hoje seis sócios – a opção foi essa simplesmente porque essa é a realidade. “O que não quer dizer que, mesmo neste cenário, não haverá oportunidades”, ressaltou o ex-dono do Banco Pactual.

A platéia,composta de empresários como Mauricio Botelho, Fabio e Zeco Auriemo, Luiz Furlan; economistas como Edmar Bacha e José Roberto Mendonça de Barros e reconhecidos estrategistas de fundos como Luiz Stuhlberger, da Hedging Grifo, não se mostrou exatamente exultante.

Ao final do encontro, depois de terem ouvido Roubini alertar para um mundo em pedaços caso drásticas ações não sejam adotadas, Mishkin dizer que a recessão será longa e Arida ponderar que “quando o mundo voltar a se preocupar com a inflação, teremos um sinal de que as coisas estão melhorando”, a plateia teve reação ambígua. É que apesar da fala dos palestrantes não ter incluído muitas novidades, esperava-se a revelação de um caminho mais concreto para se chegar ao fim do túnel. Com ou sem luz. Mas ele não veio.

O fato é que o mundo hoje é um laboratório a céu aberto. E que pairam, no ar, perguntas sem respostas, como: qual será, afinal, o verdadeiro tamanho da recessão mundial? Quanto tempo vai demorar para tudo se arrumar? E houve quem, mais pessimista que Roubini, saiu achando pequeno o custo de US$ 3,6 trilhões por esta desarrumação toda calculado pelo visitante.

Que marolinha, não?

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